Restaurante no Rio que diz estar fechado comete antissemitismo
Local reforçou fala de bar que foi multado por afirmar que cidadãos de Israel não eram bem-vindos
Paulo Moura - 06/04/2026 16h30 | atualizado em 07/04/2026 13h37

Mais um caso de antissemitismo praticado por um estabelecimento comercial no Rio de Janeiro veio a público nas últimas horas e deve ser levado nesta segunda-feira (6) ao conhecimento da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e ao Ministério Público. É a terceira ocorrência do tipo em empreendimentos da capital fluminense em poucos dias.
A nova denúncia envolve o restaurante Porco Gordo, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, que postou nas redes sociais uma imagem da bandeira de Israel riscada com um “X” preto, acompanhada da frase: “Também não são bem-vindos aqui. Não estão proibidos, mas não são bem-vindos”.

Na publicação, o restaurante marcou o bar Partisan, localizado na Lapa, na Zona Central do Rio, que havia instalado uma placa que, em inglês, trazia os dizeres “cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não são bem-vindos”. Em razão do fato, o bar foi multado em R$ 9.520 pelo Procon Carioca.
Após a repercussão, o restaurante Porco Gordo excluiu a postagem do perfil nas redes e publicou uma nota dizendo que o local “foi fechado há anos e sequer chegou a ser um restaurante com mesas para atendimento ao público”, mas “tão somente uma cozinha”. No entanto, apesar da fala, o Pleno.News consultou o CNPJ da empresa no site da Receita Federal e ele ainda consta como ativo.

Além disso, o local já constou em plataformas de delivery como iFood e Rappi. No caso do iFood, não foi mais possível encontrar o restaurante entre os registros do aplicativo. Já no Rappi, o estabelecimento ainda consta entre os empreendimentos disponíveis, porém aparece como “fechado” e sem qualquer produto ou prato no cardápio.

Aliás, na própria página do Porco Gordo no Instagram, são divulgados os restaurantes Ojji Pierrot e Blue Lobster, que fariam parte do mesmo grupo empresarial, de propriedade de Luiz Paulo dos Santos Bellei. O Pleno.News conseguiu identificar o CNPJ do Blue Lobster, que consta no mesmo endereço do Porco Gordo e também está com registro ativo.
Os vereadores Flávio Valle (PSD), presidente da frente parlamentar de combate ao antissemitismo da Câmara Municipal, e Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, vão reunir esse episódio a outros dois casos recentes ocorridos durante a semana de Pessach, a Páscoa judaica.
O primeiro caso de antissemitismo de grande repercussão nos últimos aconteceu na loja Delly Gil, na Cobal do Leblon, na Zona Sul do Rio. Segundo a chef Monique Benoliel, ao pedir matzá, pão típico consumido durante o período de páscoa, ela ouviu do próprio dono do estabelecimento que o local não trabalhava mais com judeus e que eles eram “miseráveis”.
Após a repercussão, a Delly Gil divulgou nota afirmando que não compactua com qualquer forma de preconceito e pediu desculpas.
– Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos – disse a empresa.
O segundo caso ocorreu no Bar Partisan, na Lapa. O estabelecimento colocou na entrada uma placa em inglês com a frase “US & Israel citizens are NOT! welcome”, ou seja, “cidadãos dos Estados Unidos e de Israel não são bem-vindos”. O fato levou o Procon Carioca a multar o bar em R$ 9.520, por considerar que a atitude foi abusiva e violou o Código de Defesa do Consumidor.

Em razão do ocorrido, Flávio Valle também informou que pretende pedir a cassação do alvará do Partisan.
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