Proprietário diz que tromba de elefante está no Brasil há 86 anos
Polícia Federal apreendeu o item em antiquário no Rio de Janeiro
Monique Mello - 10/06/2026 17h05 | atualizado em 10/06/2026 18h41

O proprietário do antiquário Do Século Passado, afirmou que a tromba de elefante asiático apreendida pela Polícia Federal está no Brasil há mais de 80 anos e foi adquirida por ele de forma legal em 2009. A declaração foi dada após a abertura de um inquérito que investiga possíveis crimes de contrabando e receptação relacionados à peça encontrada no estabelecimento situado no Centro do Rio de Janeiro.
Segundo Augusto Caldeira – o proprietário -, o item fazia parte de um lote de móveis e itens decorativos comprado em uma residência da capital fluminense. De acordo com informações repassadas pela família vendedora, a tromba estaria no país desde a década de 1940, quando teria sido dada como presente por um marido à esposa.
– Eu comprei ela em 2009. A pessoa falou que a mãe gostava muito de elefante e que o pai tinha presenteado a mulher com a tromba na década de 40. Eu estava dentro de uma residência, não foi alguém que apareceu na minha porta para vender uma peça sem procedência conhecida. A pessoa quis vender os objetos da casa, eu comprei cadeiras, mesas, sofás, poltronas, um lote inteiro, e a tromba veio junto. Eu comprei a tromba dentro desse conjunto de peças – afirmou em entrevista à CBN.
– Eu vou lutar para recuperar a peça. Ela está com a polícia para investigação, mas acredito que deve voltar para mim. Se houver um depositário fiel, esse depositário deve ser o proprietário, e o proprietário sou eu – disse.
A tromba chegou a ser anunciada em um leilão promovido pelo antiquário em fevereiro de 2025. No catálogo, era descrita como uma peça natural embalsamada da década de 1940, com aproximadamente 2,10 metros de comprimento. O lote teve lance inicial de R$ 20,7 mil, recebeu mais de uma centena de visualizações, mas não atraiu compradores, permanecendo no acervo até a apreensão.
Caldeira afirma estar tranquilo diante da investigação e destaca que a peça nunca foi ocultada, permanecendo exposta ao público durante anos. Ele argumenta que, caso a comercialização não seja permitida, deixará de oferecê-la à venda, mas entende que continua sendo seu legítimo proprietário.
A Polícia Federal informou que a apreensão ocorreu após denúncias sobre a possível negociação de uma parte de animal silvestre exótico sujeita a controle internacional. Conforme a corporação, durante a fiscalização não foram apresentados documentos capazes de comprovar a origem legal da peça nem autorizações para sua comercialização. O material será submetido à perícia.
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