Professora relata sequelas após intoxicação por mercúrio em PE
Laudos confirmaram presença do metal na água consumida pela vítima
Pleno.News - 20/07/2026 15h50 | atualizado em 20/07/2026 17h33

A Polícia Civil de Pernambuco está na fase final da investigação sobre a intoxicação por mercúrio de uma professora de artesanato. O caso veio à tona após gravações mostrarem uma aluna colocando um material na garrafa de água da vítima. A suspeita é investigada por tentativa de homicídio.
A professora Denny de Souza Cardoso afirmou que sua rotina mudou desde a intoxicação. Ela segue em tratamento médico e diz que ainda enfrenta dificuldades para realizar tarefas simples e recuperar a autonomia.
– Falta de força nas mãos e as dores… As coisas mais básicas que você faz em uma casa, para mim, se tornam um sacrifício enorme. Tem uma menina que me ajuda e, quando ela não pode vir, minha mãe me ajuda – disse ela em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.
O caso aconteceu em um espaço de artesanato instalado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife (PE). Segundo Denny, a aluna Maria Aparecida Rodrigues de Araújo lhe deu uma garrafa de água, que passou a ser usada diariamente por cerca de dois meses.
Depois de perceber alterações na água, como bolhas e gosto diferente, a professora desconfiou ao ver a aluna mexendo em sua garrafa durante uma aula.
– Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí, ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro.
Após o episódio, Denny instalou um celular escondido na sala. As imagens registraram a suspeita colocando um material na garrafa, agitando o recipiente e deixando o local. A professora procurou a polícia e entregou o material para perícia.
Os exames identificaram mercúrio nas duas garrafas analisadas, além de confirmarem a presença do metal no sangue e na urina da professora. No sangue da vítima, foram encontrados 21 mg, cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável.
A investigação busca esclarecer por quanto tempo o mercúrio foi colocado na água. Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações, mas acreditava que a piora estivesse ligada à fibromialgia, diagnóstico que já possuía desde 2016.
As gravações foram feitas nos dias 3 e 5 de junho de 2025. Mais de um ano depois, o inquérito ainda não foi concluído. A polícia informa que continua reunindo provas para confirmar a prática do crime, enquanto a defesa da professora cobra maior rapidez na conclusão da investigação.
Segundo a Polícia Civil, Maria Aparecida nega as acusações. A defesa informou que ela faz tratamento para transtornos mentais e que não divulgará informações que possam interferir no caso. O delegado responsável afirma que, até o momento, não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico. A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por ciúmes da amizade entre a professora e o namorado da investigada.
Enquanto espera o fim da investigação, Denny diz que tenta recuperar a qualidade de vida e ainda busca profissionais especializados no tratamento de pessoas intoxicadas por mercúrio.
– Eu estou otimista. Eu tenho fé. Eu vou voltar. Sempre digo: eu vou voltar a andar como era antes – declarou.
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