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Professor desviou R$ 65 mil para instalar persianas em mansão

Verba também foi utilizada na compra de blindex

Pierre Borges - 22/09/2021 13h10 | atualizado em 22/09/2021 15h36

Professor da UnB desviou R$ 65 mil de pesquisa para instalar persiana em mansão
Mansão fica localizada no Lago Sul, em Brasília Foto: Reprodução/Google Street Views

Um professor da Universidade de Brasília (UnB) foi apontado pela Polícia Federal (PF) como integrante de um esquema que desviou cerca de R$ 100 mil que deveriam ser destinados à pesquisa. Ele teria utilizado a verba para alugar e decorar uma mansão no Lago Sul, além de fazer compras na Apple Store e no iPlace.

As investigações da Operação Klopês, deflagrada nesta terça-feira (21), aponta que o professor Paulo Henrique de Souza Bermejo, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face), estaria desviando recursos pagos pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O imóvel tem 950 m², três andares, sete quartos, elevador e garagem com vaga para seis carros. Ao todo, Bermejo teria gasto R$ 65 mil com a compra e instalação de persianas e blindex, além de R$ 19 mil na Apple Store e R$ 15 mil no iPlace.

O esquema também teria desviado valores para custear viagens não relacionadas aos programas da fundação e transferido parte da verba das pesquisas para a conta bancária pessoal do coordenador de um dos projetos. Além disso, também foram realizados pagamentos em duplicidade a bolsistas beneficiados.

A PF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, no Distrito Federal e em Minas Gerais, e de sequestro de bens e valores na ordem de R$ 2 milhões. Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Criminal Federal do DF. A casa de Bermejo, localizada na Avenida das Palmeiras, no Jardim Botânico, foi um dos alvos de mandato. O crime teria ocorrido de abril de 2018 até janeiro de 2020.

Antes do esquema, a mansão ficou desocupada por dois anos, após ter sido ocupada pelo senador Romário, de 2012 até 2016. Na época, o político pagava mensalmente R$ 26 mil de aluguel. Hoje o imóvel é ocupado por um escritório de advocacia que não possui ligação com a investigação.

RESPOSTAS
Por meio de nota, a Finatec informou que “a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – Finatec, na condição de fundação de apoio de IFES e ICTs, esclarece que atua na gestão administrativa e financeira dos projetos de pesquisa, ensino e extensão de suas apoiadas, cabendo a estas o acompanhamento técnico, científico e acadêmico dos seus projetos”.

Ainda segundo a nota, “a Finatec mantém compromisso com a ética e integridade, tendo implementado o programa de governança corporativa e compliance procurando mitigar riscos de atuação e, principalmente, cumprir a legislação vigente. A Finatec, além de previamente já disponibilizar os dados em seu portal da transferência, franqueou acesso irrestrito à documentação solicitada e esclarece que, em toda a sua atuação, cumpre a legislação, assim como está a disposição das autoridades”.

A Unb também emitiu uma nota, que pode ser conferida a seguir:

A Universidade de Brasília (UnB) recebeu, na manhã de hoje (21), a notícia da deflagração, pela Polícia Federal, da operação Klopês – que apura desvios de recursos destinados a projetos de pesquisa.

A UnB esclarece que:

– A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) é uma fundação privada, coma qual a UnB celebra contratos para a gestão administrativa e financeira de seus projetos de pesquisa, ensino e extensão, conforme estabelecido na Lei 8.958/1994.

– A Universidade atua no acompanhamento técnico, científico e acadêmico dos projetos de ensino, pesquisa e extensão.

– Desde 2017, a UnB tem aprimorado o acompanhamento e a gestão dos projetos de pesquisa, ensino e extensão, por meio de diversas ações, cabendo citar algumas:

a) o Conselho Universitário, órgão colegiado máximo da universidade, regulamentou a relação com as fundações de apoio e instituiu, em 2018, a Câmara de Projetos, Convênios, Contratos e Instrumentos Correlatos (Capro).

b) A Capro é um órgão colegiado que avalia, com bastante rigor, o mérito institucional e a prestação de contas de processos envolvendo celebração de instrumentos jurídicos – como convênios, contratos e termos de execução descentralizada (TEDs) – relativos aos projetos acadêmicos da Universidade de Brasília, incluindo projetos celebrados com as fundações de apoio.

A Universidade está à disposição das autoridades e da sociedade para prestar qualquer esclarecimento sobre projetos de ensino, pesquisa e extensão. A UnB é uma instituição de referência no Brasil e no mundo e preza pela ética e pela transparência com os recursos públicos.

Brasília, 21 de setembro de 2021.

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