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Polícia indicia Dr. Jairinho e ex por tortura a outra criança

Agora, vereador é denunciado por agressão a três enteados

Thamirys Andrade - 01/06/2021 11h08 | atualizado em 01/06/2021 11h59

Jairo Souza fraturou o fêmur de enteado no início de 2015 Foto: Colagem Pleno News

O vereador Dr. Jairinho foi indiciado por tortura majorada contra uma terceira criança, filho de sua ex-namorada, Débora Saraiva. O delegado Adriano França representou um novo pedido de prisão preventiva contra o parlamentar e indiciou também a mãe do menino por tortura imprópria, após ela ter se omitido e não ter protegido o filho. As informações são do jornal O Dia.

As agressões ao filho de Débora ocorreram no início de 2015. Em uma das ocasiões, a mãe permitiu que o filho fosse a uma festa sozinho com Jairinho. Quinze minutos após deixá-lo com o vereador no estacionamento, o menino fraturou o fêmur e precisou ser levado ao hospital.

A criança foi socorrida no Hospital Municipal Lourenço Jorge e, segundo relatório médico, apresentava também hematomas nas bochechas e assaduras nos glúteos. Por dois meses, o garoto teve de usar um gesso que cobria do seu abdômen até o fim da perna fraturada e metade da outra, tendo apenas uma abertura para que a criança defecasse e urinasse.

– As informações colhidas nos serviços médicos e de psicologia do Hospital Municipal Lourenço Jorge indicam que Jairinho submeteu […], neste episódio, [o menino] a momentos de intenso sofrimento físico e psicológico – diz o relatório.

Ainda assim, a versão dada por Débora e Jairinho foi de que a criança teria pisado em falso ao descer do carro. Ela e Jairinho foram indiciados por falsidade ideológica, por terem informado em documento público do hospital que a criança tinha sofrido um acidente automobilístico.

OUTRAS AGRESSÕES
A Delegacia de Criança e Adolescente Vítima (Dcav) constatou ainda que o menino sofreu outros episódios de agressão pelo até então padrasto. Em uma das ocasiões, Jairinho teria dopado Débora, posto papel e pano dentro da boca do menino e pisado com os dois pés em sua barriga. Ele também teria colocado um saco na cabeça do menino e rodado com ele dentro de um carro durante a madrugada. Na manhã seguinte, Débora ainda estaria tão dopada a ponto de precisar ser vestida pela outra filha.

Em seu depoimento às autoridades, Débora conta ter sofrido ao menos quatro agressões de Jairinho após o início do relacionamento, em 2014. Em um dos episódios, ela teria levado um chute no pé que quebrou um de seus dedos. Ela diz ainda ter sido arrastada com um mata-leão e esganada por tanto tempo que pensou que morreria. As supostas agressões de Jairo a Débora ainda estão sendo investigadas pela polícia.

O novo caso veio à tona durante os depoimentos das ex-namoradas do vereador no caso Henry Borel, investigado pela 16ªDP (Barra da Tijuca). A princípio, Débora não falou sobre as agressões, mas a situação foi encaminhada à Delegacia de Criança e Adolescente Vítima (Dcav), que recuperou o documento hospitalar do dia da agressão em março de 2015.

Atualmente, Jairo Souza está preso no Presídio Pedrolino de Oliveira, conhecido como Bangu 8. Ele é acusado de tortura e homicídio contra Henry Borel, que morreu aos 4 anos no dia 8 de março, no apartamento no Rio de Janeiro em que o vereador morava com a namorada, Monique Medeiros, mãe da criança, também presa pela morte do filho.

Jairinho foi ainda indiciado por tortura contra a filha da ex-namorada Natasha de Oliveira Machado, entre os anos de 2011 e 2012. Na época, a menina também tinha quatro anos e hoje conta que o padrasto chegou a bater a cabeça dela contra a parede do box de um banheiro e a prendê-la com os pés enquanto nadava no fundo de uma piscina.

PRAZER EM PROVOCAR DOR
Para o delegado, Adriano França, Jairo Souza possui personalidade sádica e tem prazer em provocar dor. O vereador buscava se relacionar propositalmente com mães solteiras de filhos na faixa dos 3 a 5 anos de idade.

– A explicação por tamanha compulsão somente a psiquiatria forense poderia supostamente desvendar, mas o sadismo nas práticas fica latente, não podendo ser caso de inimputabilidade penal, pois o sadismo não é considerado uma doença, mas sim um transtorno de personalidade que denota do ato de sentir prazer provocando dor em outrem – escreveu França.

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