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Peritos afirmam que ferimentos em Henry não são acidentais

Especialistas acreditam que criança teria sido atingida por socos e pontapés, ou sido arremessada contra uma parede ou o chão

Paulo Moura - 19/03/2021 10h13 | atualizado em 19/03/2021 10h21

Menino Henry Borel, de 4 anos, morreu no apartamento da mãe Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Segundo especialistas da área de Medicina Legal, uma convicção parece estar bem clara a respeito do ocorrido com o pequeno Henry Borel Medeiros, de 4 anos, que chegou morto a um hospital na Zona Oeste do Rio no último dia 8 de março: não se trata de um caso de acidente doméstico comum, como a queda de uma cama sem um impulso ou empurrão.

Para o perito Nelson Massini, as lesões encontradas no menino podem ser classificadas como “graves e violentas”. De acordo com o especialista, o mais provável é que a criança tenha recebido golpes, como socos e pontapés, sido atingida por instrumentos contundentes, como porretes ou tábuas, ou arremessada contra uma parede ou o chão.

– Ele tem traumas. Muitos traumas, revelados externamente por suas equimoses [marcas roxas, produzidas nas pancadas]. E, por dentro, havia hemorragias provocadas pelas contusões, como o fígado e o rim estourados. Ele tem ainda lesões de cabeça, que geraram edemas, além de lesões pulmonares. Dificilmente isso foi um acidente doméstico. Cair da cama, bate a cabeça ou quebra um braço. Mas não tem essa quantidade de lesões fechadas, com hemorragias internas. E as lesões fechadas indicam o uso de instrumento, ou arma natural, como socos e chutes – completou.

A conclusão de Massini é a mesma do perito legista Talvane de Moraes, que ressalta que as marcas e os danos nos órgãos internos da criança revelam algo além de um simples acidente doméstico. Segundo Moraes, é muito provável que as lesões nos órgãos como “fígado, rim, pulmão e cérebro” tenham sido causadas por socos e pontapés.

– Ferimentos por ações contundentes são resultado de objetos que agem sobre o organismo utilizando força intensa. Acho pouco provável que, neste caso, tenha sido algum acidente doméstico, como a queda de uma cama. As lesões de fígado, rim, pulmão e cérebro foram provocadas por força muito potente, como socos e pontapés, ou por um empurrão contra alvo fixo – apontou.

O caso segue sendo apurado pela 16ª DP, que fica na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o pai do menino Henry Borel Medeiros contou que “ouvia, por diversas vezes, do filho que ele não queria voltar para casa e preferia ficar com ele ou a avó materna”.

Leniel disse que há cerca de um mês, a criança falou que o padrasto – o médico e vereador do Rio Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade) – o abraçava “muito apertado” e que o menino não gostava.

O FATO
O menino Henry Borel Medeiros morreu no último dia 8 de março, em um hospital da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram um fim de semana normal. Por volta das 19h do domingo (7), o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o médico e vereador do Rio, Dr. Jairinho.

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 de segunda, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Ao chegar ao hospital Barra D’Or, Monique e Dr. Jairinho informaram ao pai da criança que eles ouviram um “barulho estranho durante a madrugada e, quando foram até o quarto ver o que estava acontecendo, viram que a criança estava com os olhos virados e com dificuldade de respirar”.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping onde o garoto foi a um parquinho e do condomínio em que Leniel Borel morava.

Segundo os investigadores, o menino chegou aparentemente saudável aos locais. Na quarta-feira (17), Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos separadamente, por cerca de 12 horas, na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

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