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Pandemia de Covid-19 causa “febre de suspeitas” pelo Brasil

Famílias denunciam manipulação no registro das mortes para aumentar números da doença

Paulo Moura - 02/04/2020 07h55 | atualizado em 02/04/2020 08h26

Casos de coronavírus no Brasil chegaram a 5 mil Foto: EFE/Antônio Lacerda

Um número fora do comum de mortes por suspeita de coronavírus começa a aparecer pelo Brasil. E não estamos falando somente da desconfiança do presidente Jair Bolsonaro sobre os casos em São Paulo, mas de denúncias vindas de pessoas de vários pontos do país.

Números trazidos pelo jornal Folha de São Paulo, por exemplo, apontam que, na capital paulista, os cemitérios têm recebido diariamente de 30 a 40 corpos de pessoas com suspeitas de estarem contaminadas pelo novo coronavírus.

De longe, não parece nada anormal, mas relatos pelo Brasil mostram um comportamento, no mínimo, estranho nas notificações.

Um deles, denunciado pelo deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), ocorreu no Complexo Hospitalar Padre Bento em Guarulhos, em que uma mulher denuncia que a avó morreu vítima de um infarto, mas no laudo da morte foi identificada como suspeita de coronavírus.

– A gente não vai ter o direito de fazer o velório da minha vó. Ela infartou e estão colocando como coronavírus pra fazer ibope, fazer números. Não tinha uma tosse, não tinha uma febre, nada – relata a mulher.

Questionada pela Folha de São Paulo sobre os números, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, assim como o Serviço Funerário Municipal da capital, se recusam a informar o número total de pessoas que vieram a óbito e foram enterradas como casos suspeitos de Covid-19.

Outro caso que chamou a atenção sobre notificações para coronavírus veio do Nordeste. Em Pernambuco, o borracheiro Reginaldo Jacinto da Silva, de 57 anos, morreu no último dia 23 de março em razão de complicações do vírus Influenza A, resultado conhecido após exames laboratoriais.

Na certidão de óbito, porém, mesmo sem ter conhecimento de qual patologia teria acometido Reginaldo, um dos motivos para a morte já foi determinado imediatamente como sendo a Covid-19.

Certidão de Óbito de Reginaldo Jacinto Foto: Reprodução

Do Norte, familiares também denunciaram a forma como as mortes estariam sendo classificadas. Em Parintins, no interior do Amazonas, parentes do professor Ney Augusto Souza afirmaram que, apesar de estar bastante debilitado com um câncer na garganta, a morte de Ney teria sido colocada como suspeita de Covid-19.

– Isso [coronavírus] não é verdade. Meu irmão lutava contra o câncer há cerca de dez anos e estava debilitado. [Ele] passou mal e faleceu em casa – disse Socorro Souza, irmã de Ney.

Muito além da questão de estatística, a situação cria um quadro triste, de pessoas que não conseguem sequer realizar os velórios de seus parentes. Esse foi caso de Antônio Lima, morador da Zona Leste de São Paulo.

Segundo o irmão dele, Luís Lima, a família acreditava que a morte teria sido causada por um infarto. O laudo porém tratou o óbito como suspeita de Covid-19. Com isso, Antônio não conseguiu ter sequer um enterro digno.

– É muito triste tudo isso, muito triste não poder ter nem velório. Mas é mais triste ver meu irmão ser enterrado assim, todo sujo, nem uma roupa deixaram a gente colocar. Esperava que o fim fosse diferente – lamentou Luís.

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