Pai de adolescente que morreu em operação no RJ: “Ele se iludiu”
Samuel Peçanha disse ter tentado entender o que levou o filho a se envolver com o trafico
Paulo Moura - 07/11/2025 15h38 | atualizado em 07/11/2025 16h11

Ajudante de serviços gerais, Samuel Peçanha reconheceu, pelas redes sociais, o corpo do filho Michel, de 14 anos, entre os mortos da megaoperação realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no fim de outubro. O adolescente, segundo o pai, havia se envolvido com criminosos ligados ao Comando Vermelho.
– Naquele momento [que tomou conhecimento da morte do filho], me veio uma ardência, um aperto… eu falei: “Perdi meu filho”. Quando vi a foto — aquela foto tirada lá na montanha — e reconheci o meu menino no chão, eu disse: “É ele. É o meu menino” – disse Peçanha em entrevista à BBC.
Samuel conta que descobriu recentemente o envolvimento do filho com o tráfico ao ver fotos dele segurando armas e utilizando motos. Ao tomar conhecimento, ele relatou que chegou a questionar Michel sobre o fato, mas que logo percebeu que ele “se iludiu”.
– Fiquei totalmente assustado, e ali percebi que ele se iludiu. Falei: “Filho, pra que você está tirando foto com arma? Pra que está tirando foto em certos locais?” Ele dizia: “Não, pai, é só por que eu vou no baile com os garotos, conheço um montão de gente” – declarou.
Peçanha diz que tentou compreender o que teria motivado o filho a se afastar da escola e da família para se aproximar de traficantes, mas que nunca conseguiu entender. O homem relatou ainda que chegou a ficar doente por conta desse fato.
– A forma que ele escolheu, abandonando os estudos, foi chocante pra mim. Posso até te mostrar os atestados médicos… comecei a faltar ao trabalho, a ficar doente, tentando entender. Juro que busquei ajuda, mas não conseguia compreender a proporção da mente dele – disse.
Sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, Peçanha evitou fazer críticas e deixou um apelo aos pais e jovens.
– Eu não quero crítica sobre o Estado nem com o tráfico. Minha preocupação é com aquelas pessoas que perderam. Aquelas pessoas que precisam de uma palavra de conforto. A minha preocupação é o conselho ao qual foi dado para os jovens para que eles repensem a vida deles. Porque o que aconteceu já passou – completou.
A ação nos complexos da Penha e do Alemão foi a mais letal da história do país, com 121 mortos, segundo balanço do governo do Rio de Janeiro. As autoridades afirmam que o objetivo foi combater o avanço do Comando Vermelho na região.
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