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Operação mira disputa de facções PCC e CV no interior de São Paulo

De acordo com as autoridades, quatro suspeitos foram presos em flagrante

Pleno.News - 30/01/2026 12h23 | atualizado em 30/01/2026 13h28

Pichação em um muro com as iniciais CV, da facção Comando Vermelho Foto: ALAOR FILHO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou, nesta quinta-feira (29), uma operação em parceria com a Polícia Militar (PM) contra suspeitos de envolvimento em uma violenta disputa de território no interior do estado entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), dominante nas cidades paulistas, e a facção carioca Comando Vermelho (CV).

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cidades como Araras, Piracicaba, Limeira e Rio Claro que, nos últimos anos, viram o avanço do chamado Bonde do Magrelo, grupo criminoso local que teria se aliado ao CV. Quatro suspeitos foram presos em flagrante – seus nomes não foram divulgados.

– Focamos nossos alvos principalmente em membros de organização criminosa ligados à criminalidade ultra-violenta. Ou seja, indivíduos que praticam roubos a carro-forte, roubos a banco, tráfico internacional de drogas e homicídios – afirmou o coronel Cleotheos Sabino, comandante do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior Nove) da PM.

Segundo ele, as investigações identificaram 26 alvos, todos eles interligados, seja por disputas de território ou por participação em diferentes modalidades de crimes. Diante disso, a ofensiva mirou endereços ligados a esses nomes também em cidades como Americana, Santa Bárbara D’Oeste e Hortolândia.

O Ministério Público paulista, por sua vez, informou que o objetivo principal da ação era a apreensão de armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que pudessem fornecer provas adicionais sobre a estrutura hierárquica e os planos de ataque das facções.

Durante o cumprimento dos mandados de busca, houve quatro prisões em flagrante: duas em Limeira, uma em Hortolândia e outra em Ibiúna. Conforme o coronel Sabino, os presos estavam com armas de fogo, e um deles com “bastante quantidade de droga e dinheiro”. Não houve confrontos durante as prisões.

– Todos eles são integrantes de facções criminosas, já identificados pelo Ministério Público, e todos com passagens criminais (por crimes diversos) – acrescentou o coronel.

A Operação Keravnos foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP em conjunto com o 10° Batalhão de Ações Especiais (BAEP), de Piracicaba. Ao todo, 140 agentes da Polícia Militar participaram da ação.

ESCALADA DE DISPUTAS NO INTERIOR DE SÃO PAULO
De acordo com o Ministério Público, as investigações que resultaram na operação, formalizadas por meio de Procedimentos Investigatórios Criminais, revelaram que o conflito entre as facções “escalou significativamente após o CV tentar ocupar pontos de venda de entorpecentes anteriormente dominados pelo PCC, instaurando um estado de guerra urbana na região”.

O monitoramento policial, acrescentou o MP, identificou uma sucessão de crimes violentos iniciada em 2022, incluindo execuções com o uso de fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores.

O Ministério Público afirma ainda que, com a operação deflagrada na quinta pelo núcleo de Piracicaba do Gaeco, as forças de segurança buscam garantir a ordem pública e conter o que descreve como um “espiral de violência que tem causado pânico na população local”.

– A Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados telemáticos [emails, conversas por WhatsApp etc.] dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como “salves”, emitidas pelas cúpulas das organizações – disse o MP.

*AE

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