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Óleo atinge a baía de Todos-os-Santos, a maior do país

Área vem sendo monitorada diariamente pela Marinha do Brasil

Ana Luiza Menezes - 17/10/2019 16h37 | atualizado em 17/10/2019 16h40

Óleo chegou à Baía de Todos-os-Santos e atingiu a Ilha de Itaparica, na praia de Barra Grande Foto: Divulgação/Prefeitura de Vera Cruz

O óleo que há 45 dias atinge as praias do Nordeste chegou nesta quinta-feira (17), baía de Todos-os-Santos, maior baía do Brasil e segunda maior do mundo. Manchas de óleo foram identificadas na faixa de areia e em cima de pedras e corais nas praia de Jaburu, Tairu e Cacha Pregos, município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.

As praias costumam ser utilizadas por pescadores e marisqueiras que vivem em povoados vizinhos, já que são formadas por corais onde se escondem os animais marinhos. O avanço do óleo na baía preocupa ambientalista e autoridades, já que a região é repleta de manguezais que são berçário de espécies marinhas. Também na baía desemboca um dos rios mais importantes da Bahia, o Paraguaçu.

O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) na Bahia, Rodrigo Alves, confirma a chegada do óleo em Itaparica e afirma que o órgão já havia acionado preventivamente um plano de emergência que existe desde 2015 para eventuais desastres ambientais. O plano inclui o governo e empresas que atuam na região como a Petrobras e gestoras de terminais portuários.

Desde o último sábado, a entrada da baía vem sendo monitorada diariamente pela Marinha do Brasil. A atenção foi redobrada para evitar que o óleo avance sobre as regiões com ecossistema mais sensível.

– Tem muito mangue no fundo da baía de Todos-os-Santos. Nosso principal foco, no momento, é saber se existe risco de o óleo pode chegar às áreas mais sensíveis e qual resposta pode ser dada – afirmou à reportagem.

O prefeito de Vera Cruz, Marcus Vinícius Marques Gil (MDB), afirmou que servidores da prefeitura e voluntários de entidades ambientais estão nas praias para recolher o óleo. E afirma que as equipes estão tendo dificuldades, já que as manchas atingiram recifes e corais.

– É um trabalho muito mais complexo – falou.

Ele destacou ainda o impacto socioeconômico da chegada do óleo na região, já que a maior parte das comunidades da contracosta da ilha sobrevivem da pesca e da mariscagem. E cobrou do governo federal um plano emergencial para atender a estes trabalhadores.

Na manhã desta quinta-feira, as manchas de óleo já haviam chegado às praias de Ondina e à região do Farol da Barra, no limite da entrada da baía de Todos-os-Santos. Pequenas pelotas de óleo foram identificadas nas duas praias, conhecidas por ficaram em regiões de apelo turístico e junto a um dos principais circuitos do Carnaval.

Com o avanço das manchas, chega a 11 o número de regiões do litoral de Salvador já atingidas pelo óleo, atingindo toda a faixa da orla atlântica. Outras praias que já haviam sido atingidas receberam uma maior quantidade de óleo na manhã desta quinta. Foi o caso, por exemplo, das praias de Stella Maris e praia da Pedra do Sal, em Itapuã.

– Estamos preocupados com estas duas áreas, pois o óleo chegou em uma textura mais líquida e está concentrado no meio das pedras, o que dificulta o trabalho de coleta – afirmou o secretário municipal da Casa Civil, Luiz Carreira.

Ele disse que é necessária uma ação rápida para evitar que os sedimentos voltem ao mar com o avanço da maré durante a tarde. Ao todo, 405 agentes da Limpurb, empresa municipal de limpeza urbana, estão atuando na retirada do óleo. Grupos de voluntários também tem ajudado na coleta do material.

Até a manhã desta quinta, foram retiradas das praias de Salvador 26 toneladas de óleo. Somente na quarta-feira, 22 toneladas foram retiradas em oito horas. Os primeiros vestígios de óleo começaram a chegar a Salvador na terça-feira, mas até então em pequenas quantidades. Antes desta quinta-feira, haviam sido recolhidos apenas 37 quilos do óleo.

*Folhapress

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