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Mulher de 38 anos que se passou por adolescente é condenada

Justiça de Santa Catarina condenou a ré por estelionato e falsa identidade

Kleber Pizão - 20/08/2026 21h18 | atualizado em 21/08/2026 11h48

Amanda Maria Souza de Oliveira Foto: Divulgação/PCSC

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi condenada pela Justiça de Santa Catarina pelos crimes de estelionato e de falsa identidade. A decisão judicial, divulgada nesta quinta-feira (20), confirma que ela fingiu ser uma pré-adolescente de 12 anos para ser acolhida por uma família na cidade de Joinville.

A criminosa deverá cumprir a pena de um ano, 10 meses e 28 dias em regime inicial semiaberto. A sentença garantiu a manutenção da prisão preventiva, impedindo que a mulher recorra em liberdade. O processo tramitou na comarca da cidade do norte catarinense, onde ela foi pega cometendo os crimes.

Valendo-se da mentira, a condenada relatou falsos episódios de abuso e de abandono para despertar compaixão. Por 14 meses, ela ganhou moradia e medicações, sendo tratada como filha. O juiz concluiu que a fraude foi premeditada para obter a vantagem material, mantendo as vítimas no erro.

O processo reuniu diversos documentos, laudos extraídos do celular de Amanda, depoimentos de testemunhas e a própria confissão dela sobre o uso de dados falsos. A mulher também fez outras vítimas em diversas cidades (veja lista completa ao fim da matéria).

O magistrado ressaltou que a ré manteve um constante comportamento infantilizado com a intenção deliberada de encobrir sua real identidade e garantir o sustento de modo ilícito. A sentença destacou ainda os impactos emocionais deixados na família enganada por Amanda.

HISTÓRICO DE GOLPES
Os primeiros registros aconteceram em 2010, em Fortaleza, sua terra natal. Amanda foi até a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e denunciou os próprios pais, alegando ter sido abusada e usada em rituais de magia negra. De acordo com as autoridades locais, as falas eram desconexas. A Polícia Civil não informou como o caso terminou ou se a investigação foi concluída.

Entre 2017 e 2018, Amanda aplicou o golpe em uma ONG de Belo Horizonte (MG), onde conseguiu abrigo após relatar abuso sexual e violência familiar. Em todos os casos, a falsa adolescente pedia para não ser matriculada em escolas, por medo de ser localizada pela suposta família abusadora.

Em 2021, Amanda foi presa por seis meses no Rio Grande do Sul por estelionato, falsa identidade e uso de documento falso. As autoridades suspeitam que ela tenha passado por cinco municípios daquele estado aplicando golpes em diferentes famílias usando o mesmo argumento. Em 2024, ela foi novamente autuada por uso de documento falso em outro município da região, mas liberada.

Em 2023, a mesma mulher foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após convencer moradoras da cidade de que era uma menina de 12 anos que fugia de uma rede de exploração sexual supostamente liderada pelo próprio pai, que seria conhecido no Nordeste como Bruxo Chik Jeitoso.

Há suspeitas sobre a atuação de Amanda em outros estados como Paraná e Goiás, que ainda estão sob investigação.

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