MP não vê provas de ‘buraco fake’ e arquiva caso de Manga
Investigação diz não ter encontrado provas de que o serviço foi feito para gravar vídeo do prefeito
Pleno.News - 31/07/2026 20h35

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou, nesta quinta-feira (31), a denúncia contra o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), sobre a suposta abertura de um “buraco fake” para a gravação de um vídeo. A decisão é do promotor Orlando Bastos Filho.
A investigação apurou a intervenção feita pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) na rua Diadema, no Jardim Leocádia, em 9 de abril de 2026. Segundo o MP, não foram encontradas provas de que o serviço tenha sido simulado ou realizado para produzir conteúdo nas redes sociais.
– Era só mais uma mentira da oposição, tentando atrapalhar um governo que luta pelo povo. Vou continuar trabalhando pela cidade e fazendo de Sorocaba a melhor cidade do Brasil pra se viver.
Segundo o promotor, havia uma ordem de serviço anterior à gravação, relacionada a problemas de afundamento e infiltração no local. O documento também aponta que não foram identificados indícios de que Manga tenha determinado o serviço ou pedido a produção de vídeo na área.
A apuração ainda encontrou registros de 215 ordens de serviço na rua Diadema nos últimos cinco anos. Desse total, 154 estavam relacionadas à rede, à via pública ou ao saneamento, enquanto outras 61 ocorrências foram registradas nos 12 meses anteriores.
Para o MP, os dados indicam que a área já tinha histórico de intervenções técnicas.
– Os documentos acostados apontam sucessivas intervenções ao longo dos anos, com registros de afundamentos, infiltrações e outras necessidades de manutenção da infraestrutura subterrânea, circunstância compatível com a abertura da vala verificada no dia dos fatos – afirmou o promotor.
Orlando Bastos Filho também considerou que a abertura de valas para inspeção e reparos faz parte das atividades do Saae.
– Nesse contexto, a abertura de valas e escavações para inspeção ou reparo revela-se atividade rotineira da autarquia. Sob perspectiva lógica e probatória, igualmente não se mostra razoável a hipótese de criação deliberada de um ‘buraco fake’ para fins de gravação, quando os elementos coligidos indicam a existência de elevado volume de ocorrências reais, recorrentes e documentadas envolvendo reparos na malha urbana e na infraestrutura de saneamento municipal – argumentou.
O promotor também afirmou que a movimentação de veículos registrada por GPS no dia não comprova que a abertura tenha sido feita apenas para a gravação. Com o arquivamento, a investigação não encontrou elementos para atribuir ao prefeito a determinação de uma intervenção com essa finalidade.
RELEMBRE O CASO
Em abril, funcionários do Saae teriam relatado que um buraco havia sido aberto na rua para permitir a gravação de um vídeo de Manga. As denúncias apontavam que equipes da autarquia e de uma empresa terceirizada teriam participado da abertura e do fechamento do local.
O vídeo sobre a suposta irregularidade foi publicado nas redes sociais e ganhou grande alcance. A partir das denúncias, o caso foi levado ao Ministério Público, que analisou documentos do Saae e outros elementos antes de decidir pelo arquivamento.
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