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Morre aos 93 anos o cartunista Jaguar, fundador de O Pasquim

Artista estava internado com pneumonia

Pleno.News - 24/08/2025 18h24 | atualizado em 25/08/2025 10h55

Jaguar Foto: Frame de vídeo / YouTube / Instituto Moreira Salles

Jaguar, cartunista e um dos fundadores do semanário O Pasquim, morreu aos 93 anos de idade no Rio de Janeiro. Ele estava internado há três semanas no hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio. O óbito, causado por uma pneumonia, foi confirmado ao jornal O Globo pela viúva de Jaguar, Celia Regina Pierantoni, neste domingo (24).

Jaguar nasceu no Rio de Janeiro como Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe em 29 de fevereiro de 1932, um ano bissexto. Deixou a então capital do país aos 3 anos de idade, quando seu pai, funcionário do Banco do Brasil, foi transferido para Juiz de Fora – recomendação de um pediatra para ajudar com a asma de Jaguar. Depois, o banco enviou-o para Santos, onde o jovem fez o primário e o ginásio. Por volta dos 15, pôde, enfim, voltar ao Rio.

– De carioca autêntico eu não tenho nada. Eu simplesmente curto o Rio como se fosse um cara de fora – explicava o ex-morador de bairros como Lapa, Copacabana e Leblon.

Ele foi autor de dois livros. Em Ipanema – Se Não Me Falha a Memória (2000), abordava suas lembranças do bairro, em especial do que chamava de “anos gloriosos”, ou seja, as décadas de 60 e 70. Já Confesso que Bebi (2001) um compilado com suas histórias pessoais e sua peregrinação pelos cardápios dos bares cariocas.

Desenhava desde a época de menino, mas “pessimamente”.

– Aliás, desenho mal até hoje, é que eu engano muito. Eu detesto desenhar! Se um dia eu puder ou tiver que parar de desenhar, não desenho mais. Minha única inspiração é a seguinte: “Eu tenho que entregar a p**** do desenho!” [Risos]. Se não, eles não me pagam… – brincou, em longa entrevista à Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em 2009.

No começo da vida adulta, quando saiu do exército, decidiu que iria viajar, e foi para o Amazonas por cerca de um ano. Ao voltar para o Sudeste, passou em um concurso da marinha mercante, onde tinha o sonho de se tornar comandante, “levar um monte de livros, ficar lendo, deixando uma mulher em cada porto”.

Mas acabou se casando e prestou um concurso para o Banco do Brasil. Zerou a parte de datilografia, mas, pela média geral, foi aprovado. Ironicamente, acabou no setor de telegramas.

Permaneceu no BB por cerca de 17 anos, pedindo demissão em 1974. Segundo ele porque, justamente na hora em que a redação do Pasquim ficava mais “animada”, ele precisava sair para o outro emprego.

Desde a década de 50, passou por inúmeros veículos, como as revistas Manchete, Senhor, Civilização Brasileira e Revista da Semana, os jornais Tribuna da Imprensa, Última Hora, A Notícia e O Dia, além do histórico Pif-Paf, de Millôr Fernandes, e do já citado Pasquim. Também foi editor da Bundas, publicação lançada no fim dos anos 90 com parte da turma pasquinesca.

Um marco na carreira de Jaguar, assim como na de tantos outros cartunistas brasileiros, o semanário O Pasquim foi fundado em junho de 1969, durante o regime militar (1964-1985). O pontapé inicial foi dado ao lado de Sérgio Cabral, Claudius Carlos Prósperi e Tarso de Castro. O nome do jornal foi sugestão do próprio Jaguar, uma referência ao termo italiano Paschino, um panfleto difamador.

– Nós fizemos o jornal, porque estava todo mundo demitido e a gente precisava de um meio de ganhar dinheiro. Queríamos produzir um informativo de Ipanema, feito nos botecos, mas, pela própria natureza dos participantes, começamos a fazer aquele brincadeira toda.

Em seu auge, O Pasquim chegou a vender mais de 200 mil exemplares numa única edição. A maioria das páginas não surgia de reuniões de pauta formais, mas de conversas de bar.

Foi em sua época de Pasquim que acabou preso por três meses, no segundo semestre de 1970. À época, o jornal fez uma sátira com o quadro Independência Ou Morte, de Pedro Américo, na qual, em vez da famosa frase, Dom Pedro dizia: “Eu quero é mocotó!” [Referência à música de Erlon Chaves].

Já idoso, passou por alguns problemas de saúde. Em 2012, aos 80, revelou que sofria de cirrose e de câncer no fígado (carcinoma hepatocelular), precisando ser submetido a uma cirurgia.

Depois de parte do tratamento, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo:

– Eu não sei quanto eu [ainda] tenho de vida, mas é mais do que eu esperava. O médico ficou perplexo comigo. “Quer dizer que não vou morrer dentro de 20 dias?” Ele falou: “Não”. Falei: “P****, mas que sacanagem! Já bolei todo o esquema, vou ter que reformular tudo de novo, voltar à vida normal, fazer planos para o futuro – ironizou.

*AE

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