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Monique cita “plano diabólico” de Jairinho e diz querer ser mãe de novo

"Acredito que ele matou o meu filho", disse a professora

Pleno.News - 05/07/2021 20h26 | atualizado em 05/07/2021 21h01

Monique Medeiros Foto: Agência O Globo/Brenno Carvalho

A professora Monique Medeiros, de 32 anos, está presa desde abril, no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ela foi detida por por envolvimento na morte do próprio filho, o garoto Henry Borel, que tinha 4 anos.

Em entrevista ao portal UOL, nesta segunda-feira (5), Monique disse que está escrevendo um livro. Na obra, ela dará detalhes sobre o relacionamento abusivo que teria tido com o vereador cassado Jairinho, a quem chama de “assassino do meu filho”.

Monique negou participação na morte de Henry, e afirmou que sua vida “acabou”.

– Estou destruída, isso é fato. Destruída pela falta do meu filho, da minha família. Sempre tive um laço muito grande com minha família. Aqui dentro é um lugar de sofrimento, de reflexão, de se apegar a Deus, de autoavaliação e autocrítica, de repensar os erros, a vida, de simplicidade. Hoje eu vivo com quatro blusas, duas calças jeans, chinelo, tomo banho de água gelada todos os dias, vivo num lugar que tem 8 metros quadrados. Então é um lugar de repensar e ver o que realmente importa. Você vê que você pode viver com pouco. Você vive com menos mas não vive sem amor.

Ela também falou sobre seus dias na cadeia e a relação com outras detentas.

A mídia me colocou numa situação muito difícil, porque me demonizaram como se eu fosse co-autora dos atos contra meu filho. Não demonizaram o assassino do meu filho [se referindo a Jairinho], mas uma mãe vítima do próprio companheiro. Aliás, travestido de companheiro, porque ele não era meu companheiro. Ele era meu algoz travestido de companheiro. As presas me julgam muito porque quem está de fora fala que teria tomado outra atitude. Mas você vivendo dentro da situação, será que tomaria uma posição diferente? Será que você conseguiria sair de uma outra forma, de uma pessoa que é acima da impunidade, que tem credibilidade, que conhece todos os políticos, o governador do Estado, todos os milionários da cidade. Quem era eu? Não era ninguém. Não tinha voz.

A professora disse ainda que sente falta de Henry.

– Sinto falta de ouvir meu filho gargalhando, andando de patinete, brincando com a cachorrinha dele, pedindo as raspinhas de comida na tigela, dele correndo pela casa, dele pedindo banho de balde. De todos os momentos mais simples que eu vivia com ele. Às vezes o muito não significa nada. Hoje vivo com tão pouco e a única coisa que eu queria era minha família de volta.

Monique citou um “plano diabólico” de Jairinho para tirar a vida do menino.

– Acredito que ele matou o meu filho. Hoje eu acredito. Eu entrei aqui achando que ele era inocente e comecei a ouvir das presas que eu era assassina, era pior do que ele, que era a mãe e deveria ter protegido o meu filho, que deveria ter feito um escândalo. Cada uma teria feito de uma forma diferente. Então comecei a enxergar o que eu tinha feito de errado, onde tinha errado. Eu errei em não acreditar que um vereador bem sucedido, médico, que tem família estruturada, ia se sujeitar a fazer uma coisa dessa com uma criança indefesa dormindo. Como poderia imaginar que ele tinha um plano tão diabólico, de tirar o meu filho de mim pra que não tivesse empecilho entre eu e ele? Isso eu percebi aqui. Eu achava que era crise de ciúme da parte dele, mas matar alguém é uma coisa completamente diferente. Você prever isso é diferente. E isso enxerguei aqui com outras pessoas dizendo que viveram situações semelhantes.

Ela revelou que deseja ser mãe de novo.

– Se Deus me permitir nas minhas orações têm o desejo de que eu possa ser mãe de novo.

Questionada sobre como tem conseguido conviver com a dor que diz sentir, Monique apontou Deus e livros.

– No momento só Deus. E leio muito. Em um mês já li 23 livros. Ontem acabei um sobre Ghandi, li ‘Família é tudo’, do [Fabrício] Carpinejar. Gosto de livros de autoajuda, li ‘Infâmia’, da Ana Maria Machado; ‘1984’, do George Orwell. Gosto de ler e escrever. Então decidi que precisaria escrever meus relatos e que não vou mais me silenciar. Por isso estou escrevendo um livro contando toda a minha história.

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