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“Meu pai não reagiu. Entregou o carro e levou um tiro na cabeça”

Italo Marsili desabafou, em uma live, sobre morte do pai

Pierre Borges - 20/10/2021 12h48 | atualizado em 20/10/2021 18h47

Italo Marsili
Italo Marsili, filho do cirurgião Claudio Marsili, morto a tiros no Rio de Janeiro Foto: Reprodução/YouTube/Italo Marsili

O psiquiatra Italo Marsili, filho do cirurgião plástico Claudio Marsili, morto com um tiro na cabeça nessa terça-feira (19), no Rio de Janeiro, desabafou em uma live em seu canal no YouTube.

– Meu pai não reagiu, entregou o carro dele, carro [modelo] 2017, e levou um tiro na cabeça. Ele caiu, e eu pensei nas famílias que gritam nas televisões pedindo justiça, querendo que a justiça seja feita. Olha, francamente falando […], olhando para as minhas misérias, olhando para quem eu sou, olhando para o bem que eu não faço, estou falando de mim, só o que eu peço é justiça, lembrando que, com a mesma régua que eu medi, vou ser medido e, com o mesmo peso que eu julgar, eu vou ser julgado. Naquele momento, eu só consegui pedir misericórdia a Deus – disse.

Italo aproveitou o espaço para lembrar das qualidades do pai e expressar o apreço que possuía por ele.

– Meu pai era um tipo de sol; um leonino típico não pela exibição, mas pela luz que emanava dele; luz alegre, feliz e transmitia isso pra gente a todo tempo. Não pude deixar de notar o pesar nos olhos dos funcionários e colegas de trabalho dele; um sentimento de saudade antecipada pelos dias em que não vão mais contar com sua alegria no dia a dia, com seu assovio no centro cirúrgico – lembrou.

O psiquiatra disse ainda que, ao chegar no local do crime, abraçou e beijou o corpo de seu pai. Lá, ele recebeu uma mensagem de um amigo padre em tom de brincadeira e que, ao contar o ocorrido, pôde contar com sua ajuda.

– Eu escrevi pra ele: “Reze pelo meu pai. Ele está assassinado aqui nos meus pés”. Ele imediatamente vestiu sua batina, colocou sua estola roxa e foi até o local. Ele pôde oferecer ao meu pai os últimos sacramentos ali, na rua. […] Meu pai era alguém que fazia planos, planos alegres e generosos – revelou.

Italo disse ainda que, em sua família, todos estavam preocupados com a alma de seu pai.

– Ninguém lá, em casa, [estava] com aquela sede de vingança. Sabe essa coisa [típica de] novela das sete? Essa coisa meio RJ TV segunda edição: “Ah, quero vingança”? Espera aí, cara. Deixa a polícia trabalhar. A gente aqui está fazendo outra coisa. A família inteira, minha mãe, minha irmã, todo mundo – afirmou.

Claudio Marsili tinha 64 anos e foi morto quando chegava para trabalhar na Clínica Vitée, localizada na região do Jardim Oceânico, área nobre da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Italo chamou atenção para o fato de que alguém colocou um girassol no local do crime.

– Aquela rua, que pela manhã era choro e prantos, à tarde era indiferença e passagem, exceto por um detalhe material. Havia um girassol num vaso exatamente no lugar onde meu pai tinha caído. Alguma alma delicada colocou ali já como um memorial. Eu parei o carro no meio da rua, atrapalhei um pouco o trânsito, fui até aquele girassol e sorri – contou.

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