Leia também:
X Rejeição ao Congresso e STF aumenta, aponta Datafolha

Médicos realizam aborto em menina estuprada pelo tio

Criança de 10 anos passou por procedimento no Recife após ter interrupção da gravidez negada no Espírito Santo

Paulo Moura - 17/08/2020 09h07 | atualizado em 17/08/2020 14h43

Centro de saúde no Recife onde o procedimento foi realizado Foto: Reprodução

A equipe do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife (PE), realizou a primeira parte do procedimento para interromper a gravidez da menina de 10 anos que era estuprada pelo tio desde os 6 anos em São Mateus, no interior do Espírito Santo. De acordo com o médico Olímpio Moraes, responsável pelo aborto, a criança deve retornar ao Espírito Santo na quarta-feira (19).

O procedimento, que foi determinado pela Justiça capixaba, consiste na injeção de um medicamento para levar o feto a óbito, o que já foi realizado. Na noite de domingo (16) e madrugada desta segunda-feira (17) teve início a segunda etapa, a retirada do feto, que também é feita com remédios. Com essa fase, será concluída a limpeza total do útero.

Segundo informações do jornal A Gazeta, do Espírito Santo, a criança já estava grávida de 22 semanas após ter sido estuprada pelo tio, que tem 33 anos e está foragido. A menina chegou a ser internada no Hospital das Clínicas, em Vitória, mas a equipe médica se recusou a fazer o aborto justificando que “a idade gestacional não está amparada na legislação vigente”.

Com isso, a criança foi levada ao Recife, onde o protocolo médico é mais amplo para a interrupção de gravidez. Foi o juiz Antonio Moreira Fernandes quem atendeu a pedido do Ministério Público Estadual e ordenou a interrupção da gravidez, alegando ser “ legítimo e legal o aborto acima de 20-22 semanas nos casos de gravidez decorrente de estupro”.

Na decisão, o juiz disse que “a vontade da criança é soberana ainda que se trate de incapaz, tendo a mesma declarado que não deseja dar seguimento à gravidez fruto de ato de extrema violência que sofreu”.

Um dos profissionais que atendeu a criança relatou, na decisão judicial, que a jovem “apertava contra o peito um urso de pelúcia e só de tocar no assunto da gestação entrava em profundo sofrimento, gritava, chorava e negava a todo instante, apenas reafirmando não querer”.

Leia também1 Criança de 10 anos tem aborto concluído e passa bem
2 Grupo vai a hospital impedir aborto em menina estuprada
3 Hospital se nega a fazer aborto em menina de 10 anos
4 Damares rebate críticas sobre apoio para menina estuprada
5 Justiça autoriza aborto em criança de 10 anos estuprada

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.