Médico inclui ‘igreja’ em receita e caso vira alvo de apuração
Jovem de 22 anos sentia dores abdominais, no ouvido e na cabeça
Pleno.News - 12/06/2026 15h47 | atualizado em 12/06/2026 17h09

Um médico da rede pública de Piracicaba (SP) incluiu a recomendação de frequentar uma igreja em uma receita entregue a um paciente de 22 anos na última segunda-feira (8). O caso ganhou repercussão nas redes sociais nesta quarta (10), e a prefeitura informou que irá apurar o atendimento.
O jovem procurou uma unidade de saúde após sentir fortes dores abdominais, no ouvido e na cabeça, além de apresentar paralisia facial de Bell. Segundo o rapaz, após retornar ao posto para uma nova avaliação, recebeu diagnóstico de ansiedade.
O paciente afirmou que discordou da conclusão do médico e que a consulta mudou de tom após seu questionamento.
– Ele olhou para mim e falou que eu não estava com nada, que era ansiedade (…). Eu relutei na hora, eu falei “ansiedade?”. Ele não gostou muito de eu ter questionado, de ter duvidado do que ele estava falando. E aí o atendimento parou de ser comigo. Minha mãe estava ao lado, ele começou a falar só com a minha mãe e me ignorar totalmente. Ele começou a falar com a minha mãe “Ah, mãe, ele tem ansiedade. Isso pode ser ansiedade”. Começou a me diagnosticar com ansiedade, depressão – contou o paciente ao G1.
Na receita, o profissional prescreveu fluoxetina 20 mg e registrou orientações como alimentação adequada, prática de exercícios físicos, cuidados pessoais, terapia, uso da medicação e participação em atividades religiosas.

Insatisfeito com o atendimento, o jovem procurou outra unidade de saúde. Desde então, passou a fazer tratamento com corticoides e fisioterapia facial. Ele também recebeu encaminhamento prioritário para neurologista e gastroenterologista.
Em nota, a Prefeitura de Piracicaba informou que o caso será analisado administrativamente. A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o paciente recebeu avaliação médica completa, com exames, medicação e prescrição terapêutica.
A administração municipal declarou ainda que a referência à participação em atividades religiosas não foi apresentada como tratamento médico, mas como uma recomendação complementar relacionada ao bem-estar emocional e aos vínculos sociais. A prefeitura ressaltou que não admite imposição religiosa na rede pública de saúde e que a conduta será avaliada pela área técnica responsável.
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