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Médicas, enfermeira e perito do caso Henry prestam depoimento

Registro do hospital que atendeu a criança mostra contradição nas falas da mãe e do padrasto do garoto dadas à polícia

Paulo Moura - 23/03/2021 07h38 | atualizado em 23/03/2021 13h59

Menino Henry Borel, de 4 anos, morreu em circunstâncias suspeitas Foto: Reprodução

A enfermeira e as duas médicas do Hospital Barra D’Or responsáveis pelo atendimento do menino Henry Borel, na madrugada do dia 8 de março, prestaram depoimento na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense, na segunda-feira (22). A polícia busca esclarecer o que ocorreu com a criança que chegou já morta ao hospital.

Além das profissionais de saúde, o perito que fez o laudo de necropsia do menino também foi ouvido, mas, no Instituto Médico Legal (IML), na Região Central do Rio.

Henry Borel, de 4 anos, morreu na madrugada do último dia 8, após ser supostamente encontrado pela mãe caído em um dos quartos do apartamento onde ele vivia com ela e o padrasto.

O boletim do hospital onde Henry chegou às 3h50 da madrugada informa que Monique e Jairinho disseram ter ouvido barulho emitido pela criança e ter se levantado para ver o que havia acontecido no quarto. A médica Viviane Rosa relatou que o casal disse ter encontrado a criança mole, “após ouvir um barulho no seu quarto, sem resposta [da criança] ao chamado da mãe”.

Entretanto, nesse relato há uma contradição no depoimento dado à polícia pelo casal, que não mencionou qualquer barulho proveniente do quarto do menino.

Na última quarta-feira (18), o casal prestou depoimento à polícia durante 12 horas. Monique confirmou que, no domingo à noite, Henry não queria voltar para casa e contou que ele vomitou ao chegar em casa. Porém, ela disse que não achou estranho porque isso era algo normal quando o filho chorava muito. Monique disse também que tentou tranquilizá-lo e o levou até uma padaria, que fica a poucos metros do condomínio.

Quando a perícia chegou ao apartamento, no dia da morte do menino, uma faxineira já tinha limpado o imóvel.

CONVERSAS ENTRE O PAI E A MÃE DE HENRY APÓS A MORTE

O jornal RJ2, da TV Globo, mostrou, na edição de segunda-feira (22), mensagens trocadas entre os pais de Henry no dia 9, um dia depois da morte do garoto. Na conversa, Monique Medeiros desabafa ao ex-marido.

– Já sabemos o motivo do Henry ter ido embora? Não consigo acreditar, parece um pesadelo sem fim. Estou sem chão. Vontade de morrer – diz.

A mãe de Henry também pergunta ao ex-marido e pai da criança, o engenheiro Leniel Borel, quando será o enterro do filho. Monique fala sobre a dor que está sentindo e questiona a demora na liberação do corpo.

– Que horas poderemos enterrar nosso filho? – pergunta a mãe de Henry.

Leniel responde que está esperando a definição do IML.

Monique, por sua vez, insiste que já se passaram 24 horas da morte e desabafa novamente ao ex-esposo:

– Se eu pequei alguma vez, foi por excesso; nunca por falta. Minha consciência está tranquila, e ele está nos braços do Pai – completa.

O FATO
O menino Henry Borel Medeiros morreu no último dia 8 de março, em um hospital da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram um fim de semana normal. Por volta das 19h do domingo (7), ele levou o filho de volta para casa onde este morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o médico e vereador do Rio, Dr. Jairinho.

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 de segunda (8), ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Ao chegar ao hospital Barra D’Or, Monique e Dr. Jairinho informaram ao pai da criança que eles ouviram um “barulho estranho durante a madrugada e, quando foram até o quarto ver o que estava acontecendo, viram que a criança estava com os olhos virados e com dificuldade de respirar”.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente.

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping onde o garoto foi a um parquinho e do condomínio em que Leniel Borel morava. Segundo os investigadores, o menino chegou aparentemente saudável aos locais.

Na quarta-feira (17), Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos separadamente por cerca de 12 horas, na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

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