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Médica denuncia situação em hospital de campanha no RJ

Ela pediu demissão após primeiro dia de plantão por falta de condições

Gabriela Doria - 23/05/2020 15h33 | atualizado em 23/05/2020 16h16

Médica Priscila Eisembert pediu demissão do Hospital de Campanha do Maracanã no primeiro dia Foto: Reprodução

Uma médica contratada para atuar no Hospital de Campanha do Maracanã, no Rio de Janeiro, pediu demissão no primeiro dia de trabalho. Segundo a anestesista Priscila Eisembert, não havia condições de trabalho. Ela denunciou a precariedade da unidade de saúde.

– Tem muito profissional querendo trabalhar […] mas infelizmente não dá pra ter estômago pra ver essa atrocidade. O médico, infelizmente, não faz milagre. Ele precisa ter o mínimo pra trabalhar. Aquilo é um CTI de fachada. Não tem nem o mínimo de um CTI – afirmou a médica ao portal G1.

Ela conta que a unidade de saúde sequer tinha medicações para os pacientes.

– Conforme as intercorrências foram acontecendo e eu fui examinando individualmente cada paciente e cada medicação que eu precisava fazer, eu fui descobrindo que não tinha. Eu tive problemas com todos os pacientes. Um dos casos foi um paciente que recebi por Covid-19 com arritmia cardíaca importante, com a frequência cardíaca de 160, e eu precisava baixar a frequência e não tinha medicação – destacou.

A anestesista também conta que no seu único dia de trabalho dois pacientes morreram. Segundo ele, a falta de medicações e equipamentos pode ter custado a vida dos infectados.

– Foi um paciente jovem, que eu precisei mudar o tubo dele, que tava furado. O tubo que fica da boca pra traqueia que fica acoplado ao ventilador mecânico, que faz ele respirar. E a parte que veda tava furada. Isso acontece e eu tive que trocar. E não tinha relaxante muscular. A sociedade de anestesiologia, a sociedade de medicina, deixam claríssimo que a gente tem que entubar o paciente com relaxamento muscular. Eu demorei um pouco mais porque tava muito difícil a entubação dele e ele acabou parando. Veio a óbito – revelou.

Eisembert denunciou também a falta de exames clínicos básicos para um internado em UTI e até a ausência de fitas de testagem de diabetes.

– A gente estava há doi dias sem nenhum exame laboratorial no sistema. Cheguei a ligar para o laboratório e me foi informado que iriam corrigir e que não podiam imprimir e trazer no setor pra mim. Ela não tinha autorização também pra passar via telefone. Pacientes do CTI precisam ter rotina laboratorial diária. E esses pacientes do hospital de campanha estavam há mais de dois dias sem nenhum exame de sangue. Não tinha também fita pra testar o diabete – afirmou.

Funcionária do Sistema Único de Saúde há 10 anos, a médica afirmou que está acostumada a trabalhar com estruturas precarizadas. No entanto, a realidade dos hospitais de campanha tem se mostrado mais difícil do que em hospitais comuns.

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