Leia também:
X STF: Randolfe pede a Moraes que ‘remova’ Aras de inquérito

Loja causa revolta ao oferecer cupom em nome de Kathlen

Jovem de 24 anos morta em tiroteio no Rio trabalhava na loja de roupas Farm

Gabriela Doria - 09/06/2021 21h29 | atualizado em 10/06/2021 15h42

Kathlen Romeu, de 24 anos, foi atingida por tiro de fuzil no tórax Foto: Reprodução

A loja de roupas e acessórios Farm, onde Kathlen Romeu trabalhava como vendedora, foi duramente criticada após pedir que clientes usassem um cupom com o nome da ex-colaboradora, que morreu durante um tiroteio na manhã desta terça-feira (8), no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A jovem designer de interiores de 24 anos estava grávida de 14 semanas quando foi atingida por um tiro de fuzil no tórax.

Em seu perfil, a marca de roupas, famosa por seus altos preços, justificou a ação afirmando que o dinheiro da comissão das vendas, ou seja, uma pequena porcentagem, seria revertida para a família de Kathlen. O restante viraria lucro para a empresa.

– A partir de hoje, toda venda feita no código de Kathlen terá sua comissão revertida em apoio para a sua família – dizia um trecho da publicação.

A ideia não convenceu os internautas, que passaram a fazer duras críticas à ação de marketing.

– A Farm fazendo a Kathlen trabalhar depois de morta para reverter a COMISSÃO dela em vendas pra família – disse um rapaz.

Marcelo Ramos era namorado de Kathlen Romeu Foto: Reprodução

Outras pessoas questionaram o porquê de a marca simplesmente não doar uma quantia para a família ao invés de condicionar a boa ação às vendas.

– Quanta falta de respeito! Código? Não precisa de cupom nenhum! Vocês têm dinheiro suficiente para poder ajudar a família – disparou outro usuário.

VIDAS NEGRAS IMPORTAM
Não foi só o cupom de desconto que revoltou o público. No post, além de citar a ação em prol da família, a loja encerrou o texto com a frase “vidas negras importam”. Apesar de tentar lacrar com a expressão usada por movimentos sociais, vários internautas lembraram do histórico de denúncias de racismo contra a loja, tanto contra clientes como funcionários.

Chamou a atenção, por exemplo, o caso relatado por uma ex-vendedora que trabalhou na unidade de Icaraí, em Niterói, e que foi acolhida pela própria Kathlen.

– Eu entrei para a FARM em 2016. Na época a empresa tinha acabado de se envolver em uma grande confusão por causa de racismo. Depois desse episódio, eles abriram um quadro para funcionárias negras e eu acabei passando. A Farm não tinha nenhuma estrutura para receber funcionários racializados, eles só estavam querendo incluir gente preta para poder calar a boca do que estava acontecendo naquela época – explicou Janice Mascarenhas, fazendo referência à polêmica estampa feita pela marca em que aparecem negros escravos trabalhando.

Segundo Janice, foram vários episódios em que ela foi alvo de racismo dentro da loja. Um deles foi responsável por sua demissão.

– Teve uma vez que uma menina de 15 anos foi na minha loja pedindo para eu tirar o alarme de um short. Nós somos orientadas a só fazer esse tipo de procedimento se a pessoa mostrar a nota fiscal ou der seu CPF. Então eu pedi para a menina me dar o CPF dela que eu iria verificar a compra no sistema. Nisso, ela ligou para a mãe, que chegou lá imediatamente e perguntou: ‘Quem você acha que é para acusar minha filha de roubo? É mais fácil você roubar alguma coisa daqui’ – lembrou Janice, que ressaltou que em nenhum momento acusou a jovem.

Após o episódio, Janice foi demitida e ouviu de sua gerente que ela “tinha um problema que não sabiam lidar”.

– Depois da demissão, em 2016, eu abri um processo junto ao Ministério do Trabalho. Até hoje eu não consegui entender porque fui mandada embora. Fiquei me sentindo louca durante muito tempo. Em 2018 eu simplesmente recebi um e-mail dizendo que meu processo tinha sido cancelado. Depois disso eu nunca mais fui chamada e ninguém sabe o que aconteceu. Eles simplesmente conseguiram sair ilesos dessa situação – afirmou.

Após a repercussão negativa, a rede Farm usou suas redes sociais para se desculpar pela ação e alegou que a ideia partiu de uma vendedora da marca.

– Entendemos a gravidade do que representou esse ato, por isso, retiramos o código E957 do ar. Continuaremos dando o apoio e suporte à família, como fizemos desde o primeiro momento em que recebemos a notícia – disse a empresa.

Leia também1 Grávida de 24 anos morre baleada em tiroteio no Rio
2 Polícia resgata bebê abandonado em boca de fumo como 'garantia'
3 STJ restaura condenações de 73 policiais no caso do Carandiru
4 MPF denuncia Filipe Martins por gesto "polêmico" no Senado
5 Médico detido no Egito volta ao Brasil e diz que foi infantil

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.