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Laudo aponta causa da morte de homem que invadiu jaula de leoa

Gerson de Melo Machado morreu após entrar na jaula de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara

Paulo Moura - 02/12/2025 10h42 | atualizado em 02/12/2025 12h36

Homem invadindo recinto de leoa em zoológico da Paraíba Foto: Frame de vídeo / Redes sociais

O laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu em consequência de um choque hemorrágico provocado pelo perfuramento de vasos cervicais. O ferimento ocorreu quando o jovem invadiu a jaula de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, na Paraíba, no último domingo (30). A mordida atingiu artérias e veias do pescoço.

O documento emitido pelo IML aponta que o animal não chegou a se alimentar do corpo de Gerson. Outros exames, como o toxicológico, também foram realizados e devem ter resultado divulgado nos próximos dias. O homem foi sepultado nesta segunda-feira (1°), no Cemitério do Cristo Redentor, na capital paraibana. Sem apoio familiar, Gerson recebeu auxílio funeral custeado pela Prefeitura de João Pessoa.

A invasão ao recinto da leoa reacendeu discussões sobre a trajetória de abandono vivida pelo rapaz. De acordo com a conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou Gerson por oito anos, o histórico dele era marcado por pobreza extrema e ausência de suporte familiar para seu tratamento de saúde mental.

Verônica lembra que conheceu o menino quando ele tinha 10 anos, depois de ser encontrado caminhando sozinho por uma rodovia federal. A partir dali, passou a ser acompanhado pela rede de proteção. Ela relata que Gerson cresceu sem referência familiar sólida: a mãe, com esquizofrenia, havia perdido o poder familiar; e os avós também tinham problemas de saúde mental. Mesmo assim, ele insistia em procurar a mãe.

– Ele, embora estivesse destituído, amava a mãe e sonhava que ela conseguisse cuidar dele. Evadia do abrigo e ia direto para a casa da avó e da mãe – disse a conselheira, que também lembra episódios em que a mãe, desorientada, negava o vínculo com o filho.

Enquanto os irmãos foram adotados, Gerson permaneceu no acolhimento institucional. Segundo Verônica, possíveis transtornos psiquiátricos dificultaram a adoção.

– A sociedade quer adotar crianças perfeitas, coisa impossível dentro do acolhimento institucional, onde só chegam por negligência extrema – completou.

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