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Justiça manda soltar denunciado por vereador Gabriel Monteiro

Juiz considerou a tese da defesa do empresário Jailson dos Santos Salazar de que não era possível "descartar a tese de flagrante preparado"

Henrique Gimenes - 10/03/2022 21h41 | atualizado em 10/03/2022 21h49

Vereador Gabriel Monteiro recebeu proposta de suborno Foto: Reprodução/Print de vídeo publicado nas redes sociais

Nesta quinta-feira (10), a Justiça do Rio de Janeiro determinou a soltura de Jailson dos Santos Salazar, dono da JS Salazar. Ele foi preso após uma denúncia de tentativa de suborno feita pelo vereador Gabriel Monteiro (PSD-RJ) nesta quarta-feira (9).

A JS Salazar é a empresa responsável pela administrar pátios e reboques de veículos no Rio de Janeiro.

Jailson dos Santos Salazar foi solto durante audiência de custódia nesta quinta. O Ministério Público do Rio de Janeiro chegou a se manifestar pela prisão preventiva do empresário, mas o juiz Rafael de Almeida Rezende decidiu pela liberdade.

O magistrado considerou que não havia dados concretos para considerar que deixar Jailson dos Santos Salazar solto iria “colocar em risco a ordem pública, conveniência da instrução criminal ou a aplicação da lei penal”.

O magistrado também considerou os argumentos apresentados pela defesa do empresário de que não era possível “descartar a tese de flagrante preparado”.

“A reunião entre os envolvidos ocorreu na residência de Gabriel Monteiro, regada a bebidas alcoólicas, devendo ser destacado que o custodiado foi instigado a se manifestar sobre fatos criminosos em que estaria envolvido, o que culminou com o suposto oferecimento de vantagem indevida”, apontou o juiz.

ENTENDA O CASO
O vereador Gabriel Monteiro (PSD-RJ) conseguiu flagrar em vídeo uma suposta tentativa de suborno por parte de uma empresa de reboques contratada pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A denúncia do vereador resultou na rescisão do contrato da prefeitura com a empresa JS Salazar e na prisão de Jailson dos Santos Salazar, dono da empresa.

Segundo Gabriel, Jailson foi até sua casa, na noite desta terça-feira (8), acompanhado de dois policiais militares de folga, Renan Bastos de Brito e Djalma dos Santos Araújo. Eles tentaram oferecer uma quantia em troca do fim das vistorias que o vereador vinha fazendo em pátios e depósitos de carros apreendidos.

Gabriel, que estava acompanhado de sua equipe de segurança, registrou o encontro. De acordo com o vereador, Jailson teria oferecido uma mensalidade de R$ 200 mil para que o parlamentar fizesse vista grossa para as irregularidades. Em uma das fiscalizações, Gabriel encontrou carros apreendidos com peças faltando.

– A primeira negociação foi no pátio. Depois aqui em casa eles vieram com a proposta pronta. Eu achei que fossem me oferecer R$ 20 ou R$ 30 mil para eu não publicar o vídeo que eu tinha feito no pátio da prefeitura. Mas aí ele falou que seria uma mensalidade de R$ 200 mil por mês para eu ser parceiro deles – contou Gabriel ao g1.

Ainda de acordo com o vereador, ele levou o caso à polícia assim que foi confrontado com a proposta. Tanto Gabriel quanto os envolvidos foram para a Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca (16º DP).

– Qualquer pessoa pode discordar do meu trabalho, mas eu sou honesto e não posso violar meus princípios. Não aceitei e dei voz de prisão para todo mundo – completou o vereador.

Após deixar a delegacia, Gabriel afirmou que ainda haverá desdobramentos sobre o esquema de corrupção.

– Tô a madrugada toda trabalhando aqui na delegacia. O 01 tá preso. Acabo de prender o sócio da empresa que administra os pátios. Ele tentou me corromper com R$ 200 mil. Ele está aqui na delegacia preso. Oficiais da Polícia Militar estão envolvidos e com certeza muita coisa e muita gente grande vai se complicar. Eu falei que não teria medo e que combateria – afirmou.

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