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Dr. Jairinho recorreu a executivo para que Henry não fosse ao IML

Vereador teria pedido ajuda na "agilização do óbito", ao alegar que mãe da criança "estava sofrendo muito"

Paulo Moura - 08/04/2021 10h40 | atualizado em 08/04/2021 10h58

Vereador Dr Jairinho Foto: Reprodução

Preso na manhã desta quinta-feira (8), o médico e vereador Jairo Souza, o Dr. Jairinho (Solidariedade), ligou para um alto executivo da área de saúde no dia 8 de março, data da morte de seu enteado, Henry Borel, de 4 anos, para tentar impedir que o corpo do menino fosse encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), onde foram atestadas as agressões à criança.

Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), o executivo relatou que foi contatado pelo parlamentar a partir de 4h57 do dia da morte de Henry. Na ocasião, Jairinho havia chegado ao Hospital Barra D’Or com a namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e o filho dela às 3h50. O óbito do menino só foi atestado às 5h42 pela equipe médica.

Na delegacia, a testemunha relatou que Jairinho lhe escreveu: “Amigo, quando puder me liga”; “amigo, me dê uma ligada”; “coisa rápida”; e “preciso de um favor no Barra D’Or”. Já às 7h17, o executivo retornou o contato dizendo: “Pode ligar”.

Segundo o executivo, o vereador, “em tom calmo, tranquilo e sem demonstrar nenhuma emoção”, contou que “tinha acontecido uma tragédia” e falou sobre a morte de Henry. No relato, ao falar que Monique “estava sofrendo muito”, Jairinho pediu ajuda na “agilização do óbito”.

Na conversa, o vereador teria solicitado ao executivo que o atestado de óbito fosse fornecido pelo próprio hospital. O advogado então pediu o nome da criança e, ao checar junto ao Barra D’Or, foi informado de que ela chegara “em PCR [parada cardiorrespiratória], previamente hígida [com perfeita condição de saúde], apresentando equimoses [hematomas] pelo corpo”.

O hospital ainda teria informado que o caso se tratava de um “óbito sem causa definida”. O executivo ainda tomou conhecimento, por meio da equipe responsável pelo atendimento, de que Henry era “filho de pais separados e que o pai queria levá-lo ao IML, e o padrasto é médico e queria o atestado”.

Durante a ligação com profissionais do hospital, o advogado recebeu outras mensagens de Jairinho: “Agiliza ou eu agilizo o óbito? E a gente vira essa página hoje”; “vê se alguém dá o atestado para a gente levar o corpinho”; “virar essa página”.

O executivo então teria explicado a situação e recebido como resposta essa mensagem: “Tem certeza de que não tem nenhum jeito? Se não tem jeito, vamos fazer o que tiver que ser feito”, seguida de quatro telefonemas.

De acordo com o depoimento prestado pelas pediatras que receberam Henry na emergência, o menino já chegou morto à unidade de saúde.

No laudo da necropsia, os documentos apontam que o menino sofreu hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e que seu corpo apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões.

Procurado pelo jornal O Globo, o advogado André França Barreto, que representa Jairinho e Monique, não quis comentar as declarações da testemunha.

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