Investigadores aguardam decisão do STF sobre Flordelis

Corte deve decidir se, neste caso, a deputada tem foro privilegiado ou não

Pleno.News - 16/07/2019 09h24

Polícia aguarda decisão do STF sobre o foro privilegiado de Flordelis Foto: Agência O Globo/Pedro Teixeira

Um mês após o assassinato do pastor Anderson do Carmo, morto em sua casa em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Polícia Civil aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o direito da viúva, a deputada Flordelis, ao foro privilegiado. A decisão é necessária porque a parlamentar é uma das investigadas e é preciso saber de quem é a competência para prosseguir com o levantamento de informações.

Um dos protocolos adotados pela polícia, como a reconstituição do crime, considerado de extrema importância para a investigação, depende do parecer do STF.

Uma decisão do STF no ano passado afirmou que deputados e senadores só teriam direito ao foro privilegiado em caso de crimes cometidos em função do cargo, ou seja, que estejam relacionados ao mandato político. No entanto, dias após a morte do pastor Anderson do Carmo, o ministro Celso de Mello declarou que, apesar da regra, qualquer investigação sobre a deputada deveria passar inicialmente pelo crivo do STF e que, caso não o fosse feito, estaria havendo uma “usurpação de competência”.

Nesta terça-feira (16), foi confirmado pelo Instituto de Balística Carlos Éboli que a arma encontrada na casa da deputada Flordelis foi a mesma utilizada no crime. A pistola 9mm estava no quarto de Flávio dos Santos, filho biológico da parlamentar e enteado de Anderson. Flávio, que está preso desde o enterro do pastor, confessou ter atirado seis vezes contra o religioso.

No início deste mês, Flordelis apareceu em um culto usando uma pulseira de ouro do pastor Anderson. No início das investigações, ela havia afirmado que a joia tinha desaparecido. Questionada sobre o uso da pulseira, a deputada afirmou que o objeto foi encontrado após uma “rearrumação” da casa e que desde então ela estaria com a joia para homenagear o marido.

O CASO
O pastor Anderson do Carmo foi assassinado na madrugada de domingo (16) na garagem de casa, em Pendotiba, Niterói (RJ). O laudo mostrou 30 perfurações pelo corpo, a maior parte nas costas, peito e região da virilha. Anderson era casado há 25 anos com Flordelis, pastora e deputada federal pelo Rio de Janeiro. Sempre ao lado da esposa, ele atuava como secretário-geral do PSD no Estado.

Dois filhos da pastora estão presos preventivamente, Lucas dos Santos, de 18 anos, e Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos. O mais velho assumiu ter efetuado seis tiros. Lucas teria ajudado comprando a arma, mas não estaria em casa no momento dos disparos. Os agentes ainda estão investigando os pontos contraditórios.

Um terceiro filho teria afirmado, em depoimento, que não ouviu discussão, barulho de carro ou moto em fuga. Que quando chegou na cena do crime encontrou o irmão Flávio próximo ao pai, caído. Ele garantiu ainda que o celular de Anderson, que está sumido, foi entregue a Flordelis.

Ainda em depoimento, o filho disse que o pastor já recebeu uma mensagem com ameaça de morte e uma das irmãs ofereceu R$ 10 mil a Lucas para que cometesse o crime. Flordelis e três filhas já teriam colocado remédios na comida de Anderson, por isso, sua saúde estava debilitada.

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