Leia também:
X Facebook tira do ar páginas com fake news sobre Marielle

Identificado dono de site com fake news sobre Marielle

Homem publicou texto revelando nome e disse agir por "guerra política"

Gabriela Doria - 24/03/2018 21h14 | atualizado em 24/03/2018 21h16

O dono do site que criou e publicou a fake news mais compartilhada sobre a vereadora Marielle Franco assumiu sua identidade real em um post no Facebook. Carlos Augusto de Moraes Afonso divulgou um texto no site Ceticismo Político, cuja página no Facebook foi excluída pela própria rede social, assumindo a autoria do site e do texto difamatório sobre Marielle Franco.

– O perfil Luciano Henrique Ayan é meu pseudônimo. Me chamo Carlos Afonso e atuo na área de tecnologia. Mas nas horas vagas decidi, há mais de 13 anos, estudar métodos relacionados à dinâmica política – disse Carlos Afonso.

Notícias falsas sobre Marielle Franco surgiram após o assassinato da vereadora Foto: EFE/EPA/Etienne Laurent

Em seguida, ele revela os reais motivos por trás dos sites com falsas notícias.

– Inicialmente, realizava refutações básicas de discursos, mas a partir de 2011 comecei a desenvolver um método para a guerra política. Sinto dizer aos meus oponentes: o método funciona que é uma beleza – assumiu o homem.

O homem também diz que a estratégia de manipular informações foi utilizada durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

– Durante o processo do impeachment, apoiei fortemente os movimentos, pois entendia que era a estratégia correta. Certamente, vocês encontrarão muitos casos de pessoas que beberam na fonte do Ceticismo Político e dos métodos ali divulgados – disse ele.

Carlos Afonso diz ainda que ele possui diversos colaboradores mas, por causa da repercussão que as fake news têm ganhado, ele não receberá mais contribuições. Ele também divulga um endereço de email para qualquer pessoa entrar em contato.

Carlos Afonso publicou o texto horas após o Facebook tirar do ar a página Ceticismo Político e os perfis Luciano Ayan e Luciano Henrique Ayan, todos administrados por ele.

Confira a nota de Carlos Augusto na íntegra:

Em virtude dos últimos acontecimentos envolvendo o pseudônimo “Luciano Ayan”, o MBL e o caso da desembargadora que fez comentários sobre a morte da vereadora Marielle Franco, é importante que os leitores tomem ciência de fatos importantes.

No último fim de semana, o site Ceticismo Político, criado por mim (e que hoje possui vários colaboradores) publicou uma matéria sobre a desembargadora Marília, que fez acusações sobre a vereadora Marielle, que havia sido assassina na quarta (14).

O post basicamente apontava o conteúdo da matéria de Mônica Bergamo. O post, publicado por colaboradores, mas editado por mim, trata as declarações de Marília como se fossem uma ironia e usa o termo “quebra de narrativa”, principalmente ao mencionar o fato de que foi levantada a hipótese de que Marielle talvez não tivesse sido vítima de um crime político. Ou seja, são os fatos, acompanhados de uma análise. A desembargadora realmente fez as declarações que fez. As dúvidas já estão lançadas e não é mais possível que membros do PSOL afirmem que Marielle certamente “foi vítima de crime político” sem serem questionados. Nós não sabemos quem matou Marielle, mas o PSOL também não sabe. Isso significa que a narrativa daqueles que querem culpar a PM ou a intervenção está “quebrada” até que surjam fatos novos.

Mesmo assim, o Jornal O Globo entrou em contato para questionar o MBL (que havia republicado meu post original). Com este texto rebati as afirmações do repórter. Ou seja, este site avisou que ele estaria dando vazão a uma informação falsa e mesmo assim o jornalista fez outro texto. Em resumo: o jornalista já tinha ciência de que o site apenas replicou uma notícia real de Mônica Bergamo e mesmo assim fingiu desconhecimento (uma vez que minha rebatida ao e-mail enviado pelo jornalista ao MBL aconteceu várias horas antes do segundo texto dele).

Não iria demorar para surgirem as intimidações, do tipo “vamos atrás de você”. Algumas delas vieram de setores da direita, inclusive.

O perfil Luciano Henrique Ayan é meu pseudônimo. Me chamo Carlos Afonso e atuo na área de tecnologia. Mas nas horas vagas decidi, há mais de 13 anos, estudar métodos relacionados à dinâmica política. Inicialmente, realizava refutações básicas de discursos, mas a partir de 2011 comecei a desenvolver um método para a guerra política. Sinto dizer aos meus oponentes: o método funciona que é uma beleza.

O objetivo inicial era fazer um site para acesso aos amigos que acompanhavam debates, mas aos poucos a coisa foi tomando uma proporção acima do que eu esperava. Hoje em dia, a página “Luciano Ayan” no Facebook tem 106.000 seguidores e o conteúdo do site é compartilhado em vários outros meios. Especialmente em 2011, introduzi em profundidade os métodos de David Horowitz e Saul Alinsky para a direita. Em 2011, comecei a abordar o tema do “controle de frame”, que se popularizou na direita, ajudando muita gente a rebater com mais assertividade as narrativas da esquerda.

Durante o processo do impeachment, apoiei fortemente os movimentos, pois entendia que era a estratégia correta. Certamente, vocês encontrarão muitos casos de pessoas que beberam na fonte do Ceticismo Político e dos métodos ali divulgados. Em 2015, pela Editora Simonsen, foi publicado o livro “Liberdade ou Morte” (também sob pseudônimo), que fazia uma ferrenha defesa da liberdade de expressão na época em que quase viramos uma ditadura.

Uma pergunta que fica é: qual o motivo para a discrição e o uso de um pseudônimo por tanto tempo? Basicamente, sempre foi o interesse em desenvolver um método, criar uma base de conhecimento e auxiliar as pessoas na medida do possível, mas sem transformar tudo em uma atividade principal. Ainda assim, o site passou a ser monetizado em meados de 2017.

Outra pergunta: qual o motivo para revelar a identidade agora?

Simplesmente porque deu para notar que o frame principal da mídia pró-PSOL é dizer “ele publicou fake news e usa um perfil falso”. Bem, agora estou aqui pronto para qualquer debate para que alguém me demonstre que há qualquer fake news no texto questionado pelo Globo. Por exemplo, o repórter diz que eu publiquei um texto com “deturpações”. Qual a deturpação? Notem que o espertinho nem cita qual é a deturpação. Alguns estão dizendo que o uso do termo “quebra de narrativa” endossa as afirmações da desembargadora, mas qualquer definição do dicionário mostra que falar em narrativas não é o mesmo que falar em provas. É preciso fingir muito para fazer o teatrinho de que ali havia uma notícia falsa.
Em resumo, usam o fato de alguém estar sob pseudônimo (o que dificulta a defesa quanto às acusações), para avançarem mentiras. Bem, agora mentem diante de alguém que pode ser contatado por qualquer meio. Se enviarem um email para lucianoayan@gmail.com receberão a resposta do dono do pseudônimo, Carlos Augusto de Moraes Afonso, ou seja, eu.

Isso muda toda a perspectiva, uma vez que agora posso rebater qualquer ataque de maneira frontal. E pelo fato de eu ter usado pseudônimo por tanto tempo, fui vítima de diversas calúnias. Só que agora as coisas mudam.

Também anuncio que o site Ceticismo Político terá uma drástica redução de conteúdo, pois a partir de então não contará mais com colaboradores, até para evitar confusões desnecessárias. Qualquer conteúdo que estiver presente no Ceticismo Político a partir de 24/03 é de minha autoria.

Novos detalhes de meu histórico de atuação e das intimidações que tenho sofrido serão publicados nos próximos dias. Como agora quebrei um recurso que habilitava a chantagem por parte de meus oponentes, meu espectro de atuação política se amplia decisivamente. Isso talvez não seja uma boa notícia para meus oponentes políticos.

Teremos muitas novidades nos próximos dias.

Att.

Carlos Afonso (a.k.a. Luciano Ayan)

Leia também1 Facebook tira do ar páginas com fake news sobre Marielle
2 Irmã diz: "A única maneira de calar Marielle era matando"
3 Flordelis: "Precisamos parar de falar com tanto ódio"

Siga-nos nas nossas redes!
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.