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Homem asfixiado foi abordado pela PRF por estar sem capacete

Policiais admitem uso de spray de pimenta e gás lacrimogêneo, mas alegam que causa da morte se deve a "possivelmente um mal súbito"

Thamirys Andrade - 27/05/2022 12h20 | atualizado em 27/05/2022 13h21

IML confirmou que Genivaldo de Jesus Santos morreu em decorrência de asfixia mecânica Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução das Redes Sociais

Genivaldo de Jesus Santos, homem que morreu asfixiado após ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Sergipe, foi abordado por estar conduzindo uma motocicleta sem capacete. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes pediram que ele descesse do veículo e levantasse sua camisa, mas ele teria resistido e demonstrado “agitação”. No documento, as autoridades admitem ter usado spray de pimenta e que o imobilizaram dentro do porta-malas da viatura com gás lacrimogêneo, mas afirmam que a causa do óbito foi “possivelmente um mal súbito”. O IML, no entanto, confirmou que Genivaldo morreu por “asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda”.

Segundo o Boletim de Ocorrência obtido pelo site The Intercept, a equipe de motopoliciamento tático fiscalizava a rodovia BR 101, em Umbaúba (SE), quando “visualizou uma motocicleta de placa OUP0J89/SE sendo conduzida por um indivíduo sem capacete de segurança, motivo pelo qual procedeu à sua abordagem”.

– Foi dado o comando para que o condutor desembarcasse da moto e levantasse a camisa, como medida de segurança, no entanto a ordem foi desobedecida, levantando o nível de suspeita. Ato contínuo, determinou-se que o indivíduo colocasse as mãos na cabeça e abrisse as pernas, de modo a possibilitar a busca pessoal, porém esta ordem foi igualmente desobedecida, agravando-se pelo fato de que o abordado a todo momento passava as mãos pela linha de cintura e pelos bolsos – diz o texto.

O B.O. também relata que “tornou-se necessário realizar sua contenção” por meio de “uso das tecnologias de menor potencial ofensivo”. Ainda de acordo com os policiais, o homem foi conduzido à delegacia “plenamente consciente”, mas durante o trajeto “começou a passar mal”.

– A equipe seguiu rapidamente para o hospital local, onde foram adotados os procedimentos médicos necessários, porém, possivelmente devido a um mal súbito, a equipe foi informada que o indivíduo veio a óbito – contam os agentes.

Os policiais responsáveis pela abordagem foram identificados como Clenilson José dos Santos, Paulo Rodolpho Lima Nascimento, Adeilton dos Santos Nunes, William de Barros Noia e Kleber Nascimento Freitas. Todos eles são agentes do Comando de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe.

De acordo com sua família, Genivaldo de Jesus Santos tinha 38 anos, sofria de esquizofrenia, usava medicação e era considerado uma pessoa “calma” e “prestativa”. Ele era casado com Maria Fabiana dos Santos e tinha um filho. A esposa afirma que seu marido “nunca agrediu ninguém” e que a polícia agiu “com crueldade pra matar”.

– Vivo com ele há 17 anos, ele tinha há 20 anos o problema dele, nunca agrediu ninguém, nunca fez nada de errado, sempre fazendo as coisas pelo certo, e em um momento desses pegaram ele e fizeram o que fizeram – assinalou, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Boletim de Ocorrência assinado pela equipe da PRF Foto: Reprodução

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