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Guaranho tem prisão domiciliar negada e irá do hospital à cadeia

Agente penal federal deve ganhar alta médica nesta sexta, quase um mês após matar o tesoureiro do PT, Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu

Gabriel Mansur - 04/08/2022 21h40 | atualizado em 05/08/2022 12h50

Jorge Guaranho Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

A Justiça do Paraná determinou, nesta quinta-feira (4), que o policial penal federal Jorge Guaranho, seja transferido para o Complexo Médico Penal, caso haja vaga, assim que receber alta médica, prevista para esta sexta-feira (5). Se não houver vaga disponível, a resolução pede ainda o encaminhamento ao Complexo Penitenciário Federal. Guaranho responde pela morte a tiros do tesoureiro petista Marcelo Arruda, que comemorava seu aniversário de 50 anos com festa temática ao PT e à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 9 de julho, em Foz do Iguaçu (PR).

A defesa de Guaranho defendeu medidas cautelares menos rigorosas, argumentando que o crime imputado ao policial não justifica a prisão preventiva. Como alternativa, propuseram também a prisão domiciliar, destacando o quadro de saúde de Guaranho. À Justiça, os advogados também citam a necessidade de Guaranho passar por reabilitação, com fisioterapia e fonoaudiologia.

– A alta hospitalar não significa alta médica, tendo em vista que o paciente demanda cuidados especializados para atividades básicas da vida – afirmou a defesa do policial.

O juiz Gustavo Germano Francisco Arguello, da 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu negou os pedidos pela revogação de sua prisão preventiva ou a conversão dela em domiciliar. Em seu despacho, o magistrado reiterou que a conversão para a domiciliar só seria possível se o assassino estivesse “extremamente debilitado por motivo de doença grave”. Ainda segundo o juiz, os advogados que representam Guaranho não foram capazes de demonstrar que ele não poderá encontrar o suporte médico necessário dentro do sistema prisional.

– Não procede a alegação de ausência de fundamentação na decisão que decretou a prisão preventiva do acusado, notadamente ao se verificar que o decisum prolatado pelo magistrado plantonista bem lastreou a decisão na gravidade in concreto do delito, apontando-a como medida idônea e suficiente para acautelar a ordem pública – concluiu.

O Ministério Público do Paraná também se manifestou a favor da manutenção da prisão preventiva.

– Não há como falar em “alegação vazia da gravidade do crime”, “mera retórica” ou “atuação contida” do detento na espécie, visto a gravidade acachapante da conduta – sustentam os procuradores.

O juiz determinou ainda que Guaranho seja colocado em cela separada dos demais, como garante a lei ao se tratar de presos integrantes da Administração da Justiça Criminal.

RELEMBRE O CRIME
No dia 9 de julho, o agente penal José Guaranho matou a tiros o guarda municipal e petista Marcelo Arruda, que comemorava seu aniversário de 50 anos. Ex-candidato a vice-prefeito na chapa do PT de 2020 em Foz do Iguaçu, Arruda fazia uma festa com tema do seu próprio partido quando foi alvejado por Guaranho, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu.

Horas antes, de acordo com a delegada Iane Cardoso, a vítima teria se incomodado com a música “que remetia a Bolsonaro” e vinha do carro do agente penal. Arruda foi para a parte externa pedir que o motorista saísse dali. Imagens de uma câmera de segurança mostram que eles discutiram e Arruda jogou areia no carro de Guaranho.

Durante essa interação entre eles, Guaranho aparece respondendo algo para o guarda municipal. Uma pessoa que estava presente na festa relatou à polícia que o atirador teria dito “aqui é Bolsonaro”.

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