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Flordelis: Filhos são condenados pela morte do pastor Anderson

Flávio recebeu pena de mais de 33 anos, e Lucas foi condenado a sete anos e meio de prisão

Paulo Moura - 24/11/2021 06h33 | atualizado em 24/11/2021 09h45

Caso Flordelis: julgamento dos filhos da ex-deputada Foto: Domingos Peixoto/ Agência O Globo

Dois dos filhos da ex-deputada Flordelis, Flávio e Lucas dos Santos, que eram julgados pelo envolvimento na morte do pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, foram condenados na madrugada desta quarta-feira (24), em sessão do Tribunal do Júri de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, presidida pela juíza Nearis dos Santos Arce.

Acusado de atirar no padrasto, Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da ex-parlamentar, recebeu uma pena de 33 anos, dois meses e 20 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma, uso de documento ilegal e associação criminosa armada.

Lucas Cézar dos Santos Souza, filho adotivo de Flordelis, foi condenado a sete anos e meio por homicídio triplamente qualificado. Sua pena foi reduzida por ele ter colaborado com as investigações. Ele foi apontado como tendo sido o responsável por comprar a arma do crime

O JULGAMENTO
Ao todo, a sessão teve mais de 15 horas de duração, tendo começado pouco depois das 14h da terça-feira (23) e terminado por volta das 5h30 desta quarta-feira (24). Foram oito testemunhas ouvidas durante o julgamento, sendo sete delas de acusação.

A primeira testemunha a ser ouvida foi a delegada Bárbara Lomba, que coordenou a primeira parte das investigações. De acordo com ela, a investigação apontou que, antes das eleições da ex-deputada, já havia tentativas de assassinar o pastor, por envenenamento.

– Ele passou por diversos atendimentos médicos e chegou a ser internado no hospital. Aqueles que estão ligados a esse homicídio são os familiares mais próximos à Flordelis. São pessoas muito vulneráveis, que tinham relação de dependência em relação a ela e desentendimentos com a vítima – disse.

Na sequência, foi ouvido o delegado Alan Duarte, que assumiu o lugar de Bárbara e ficou responsável pela continuidade da investigação da morte do líder religioso. Segundo Duarte, foi possível descobrir, através de mensagens extraídas dos celulares da família, que se tratava “de uma organização criminal familiar”.

– Flordelis manipulou, mentiu e ocultou provas. Havia um racha na família, com diferença de tratamento entre filhos biológicos e adotivos. O pastor comandava a família de forma rígida e geria a parte financeira, o que gerava descontentamento nos ligados à Flordelis – declarou.

Wagner Pimenta, o Misael, filho afetivo de Flordelis, foi a terceira testemunha ouvida. Ele reafirmou que, após a morte do pastor, Flordelis teria escrito em um caderno que havia quebrado o celular de Anderson e jogado da Ponte Rio-Niterói. A atitude da ex-parlamentar teria sido tomada pela desconfiança da possível existência de escutas policiais na casa.

A esposa de Wagner, Luana Pimenta, quarta testemunha a ser interrogada, afirmou que o pastor Anderson do Carmo era um grande defensor de Flordelis. De acordo com Luana, não seria possível alertar Anderson a respeito de atitudes da ex-deputada, pois “ele jamais acreditaria”.

Quinta testemunha a prestar depoimento, Roberta dos Santos, filha adotiva de Flordelis, admitiu ser autora de mensagem, enviada no grupo de WhatsApp da família, em que clama por justiça pela morte de Anderson. Ela contou que foi adotada aos 3 meses de idade e que, quando criança, tinha medo de Flávio por considerá-lo agressivo.

As duas últimas testemunhas de acusação ouvidas foram o filho adotivo de Flordelis Alexander Felipe Marques Mendes e o motorista de Uber Daniel Pereira, que levou Lucas e Flávio até a comunidade de Nova Holanda, para a compra da arma utilizada no homicídio.

A última testemunha a depor, a única de defesa, foi Regiane Ramos, ex-patroa de Lucas. Todas as demais testemunhas de defesa foram dispensadas pelos advogados dos réus.

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