Filhos alertaram Anderson que Flordelis planejava morte

Pastor não acreditava que crime poderia se concretizar

Pleno.News - 22/08/2019 21h53

Pastor Anderson do Carmo e a esposa, Flordelis Foto: Reprodução

O relatório final do inquérito da Polícia Civil que investiga o assassinato do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis (PSD-RJ), sugere que o plano para matar a vítima pode ter começado em outubro de 2018.

Segundo o documento, obtido pelo RJ2, da TV Globo, a filha adotiva do casal, Roberta dos Santos, teria dito que Anderson descobriu “três ou quatro meses antes do assassinato” que iriam tentar matá-lo. O pastor teria descoberto a informação através de seu irmão Carlos.

MENSAGENS
Carlos também revelou a Anderson que teria visto uma mensagem no celular de Flordelis em que ela dizia para Lucas dos Santos, que se tornou réu, que era só entrar no quarto do casal e executar o crime.

Uma ex-patroa de Lucas também reforçou a existência da suposta mensagem de Flordelis falando sobre o crime. Ela contou para a polícia que recebeu o print de uma conversa entre a deputada e Lucas. Nela, a parlamentar pediu ao rapaz que executasse Anderson e pegasse os relógios para que se parecesse um roubo.

DEPOIMENTO DE MISAEL E LUAN
O vereador Misael, outro filho do casal, também apontou Lucas como um dos culpados. No entanto, ele afirmou que Anderson já estava recebendo ameças e que ele acredita que o plano do crime foi tramado por Lucas e Marzy Teixeira.

Ainda no depoimento, Misael afirmou que, após o crime, Flordelis reuniu os filhos e escreveu em um caderno que tinha quebrado e telefone do marido e atirado da Ponte Rio-Niterói.

Já Luan Santos, outro filho adotivo, afirmou que sua irmã Simone lhe contou que Flordelis estava em busca de alguém para “apagar” Anderson e teria dado esta tarefa a ela. Na opinião de Luan, Simone não teria coragem de fazer isso, por isso apontou que a outra irmã, Marzy, fosse procurada para esclarecer se participou do crime.

DESTRUIÇÃO DE PROVAS
Ainda segundo Luan, após o crime, Flordelis teria mandado apagar as mensagens do celular de Anderson. “Só apaga aquilo que está lá. Dá um jeito de apagar”, teria dito a deputada. Ele também contou que viu o irmão Adriano com o celular e a mochila do pastor após o crime.

– Agora sou eu que vou resolver tudo. Mãe, quero falar uma coisa pra senhora: independente do que aconteça eu sempre vou te amar – teria dito Adriano para Flordelis, segundo Luan Santos.

Kelly Cristina, mais uma das filhas, contou à polícia que a mãe tentou reunir todos os filhos na igreja da família, após o crime, para que fossem orientados pelo advogado antes de depor.

Suspeita de ter jogado o celular de Anderson no mar, Lorrane dos Santos Oliveira, neta do casal, afirmou que foi duas vezes à praia de Piratininga. No dia do enterro do pastor, ela declarou que jogou em uma lixeira na praia um saco vazio e um monte de papel. Dois dias depois, ela retornou ao local à noite, com o intuito de “relaxar”, e se desfez de um tênis vermelho.

Erica dos Santos Souza revelou que viu as irmãs Simone e Rayane subindo ao terceiro andar da casa. Lá, Simone teria escondido um celular na janela de seu quarto e, em seguida, jogado um outro celular em cima do closet.

RÉUS
Lucas e Flávio dos Santos se tornaram réus pelo assassinato do pastor Anderson do Carmo. Lucas afirmou que foi coagido irmão a mudar seu depoimento. Na nova versão, o rapaz teria que dizer que a polícia o torturou para que ele revelasse detalhes do crime.

Apesar de não estarem juntos, os dois ficam em celas próximas dentro da carceragem.

O CASO
O pastor Anderson do Carmo foi assassinado na madrugada do dia 16 de junho, na garagem de casa, em Pendotiba, Niterói (RJ). O laudo mostrou 30 perfurações pelo corpo, a maior parte nas costas, peito e região da virilha. Anderson era casado há 25 anos com Flordelis, pastora e deputada federal pelo Rio de Janeiro. Sempre ao lado da esposa, ele atuava como secretário-geral do PSD no Estado.

Dois filhos da pastora estão presos preventivamente, Lucas dos Santos, de 18 anos, e Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos. O mais velho assumiu ter efetuado seis tiros. Lucas teria ajudado comprando a arma, mas não estaria em casa no momento dos disparos. Os agentes ainda estão investigando os pontos contraditórios.

Um terceiro filho teria afirmado, em depoimento, que não ouviu discussão, barulho de carro ou moto em fuga. Que quando chegou na cena do crime encontrou o irmão Flávio próximo ao pai, caído. Ele garantiu ainda que o celular de Anderson, que está sumido, foi entregue a Flordelis.

Ainda em depoimento, o filho disse que o pastor já recebeu uma mensagem com ameaça de morte e uma das irmãs ofereceu R$ 10 mil a Lucas para que cometesse o crime. Flordelis e três filhas já teriam colocado remédios na comida de Anderson, por isso, sua saúde estava debilitada.

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