Ex-presidente do BRB quer fazer delação premiada sobre o Master
Paulo Henrique Costa visa firmar acordo antes de Daniel Vorcaro
Thamirys Andrade - 28/04/2026 13h29 | atualizado em 28/04/2026 15h08

Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa manifestou interesse em firmar um acordo de delação premiada sobre o escândalo do Banco Master. A informação consta em petição encaminhada pelos seus advogados ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os defensores Eugênio Aragão e Davi Tangerino disseram que a proposta depende da “convergência de alguns fatores”, como análise técnica sobre a utilidade das informações e provas, além de uma decisão esclarecida sobre os termos e riscos do acordo.
Eles afirmam, contudo, que tais condições não podem ser atendidas se o cliente continuar no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Isso porque, de acordo com a petição, a unidade prisional não teria a estrutura necessária para garantir o sigilo das conversas e o manuseio de provas entre Costa e seus advogados. Dessa forma, é solicitada a transferência para um ambiente com garantia plena de confidencialidade.
O ex-presidente do BRB visa firmar o acordo de colaboração premiada antes do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a fim de obter mais benefícios com informações inéditas.
A relação do BRB com o Master teve início após a instituição financeira aprovar a compra de 58% do banco de Daniel Vorcaro. O processo de aquisição, contudo, foi barrado pelo Banco Central do Brasil, em razão de suspeitas de fraude e corrupção. Investigações apontam que o Master teria realizado um esquema bilionário de venda de títulos sem rastro, e que negócios entre o BRB e o Master podem ter sido usados para favorecer ilicitamente interesses privados.
Costa é suspeito de ter recebido cerca de R$ 146 milhões em propina para beneficiar o Master em negociações com o BRB. Ele foi preso no último dia 16 de abril, como parte da Operação Compliance Zero. Na última sexta-feira (24), a Segunda Turma do STF decidiu manter a prisão preventiva dele por unanimidade.



















