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Ex-esposa do padrasto de Henry denunciou que ele era violento

Em boletim de ocorrência registrado na mesma delegacia que apura a morte da criança, Ana relatou que parlamentar "sempre foi violento"

Paulo Moura - 22/03/2021 11h16 | atualizado em 22/03/2021 11h46

Vereador Dr. Jairinho Foto: Reprodução/CMRJ

O vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), padrasto do menino Henry, de 4 anos, que morreu no último dia 8 de março, já foi denunciado por violência doméstica por sua ex-mulher, Ana Carolina Ferreira Neto, mãe de dois filhos do político. Em um boletim de ocorrência registrado na mesma delegacia que apura a morte de Henry, Ana relatou que o parlamentar “sempre foi violento”.

– Jairo sempre foi violento com ela e até tentou enforcá-la; e [ela disse] que, no dia 29 de dezembro de 2013, num ataque de fúria, ele a segurou pelo braço e a arrastou até a cozinha e que foi ofendida e chutada várias vezes com muita força pelo vereador – diz o documento.

Curiosamente, mesmo com o registro oficializado na delegacia, Ana Carolina negou que tivesse feito qualquer registro. O caso foi arquivado. O advogado de Jairinho diz que a ex-mulher retirou a queixa e nega que o vereador tenha cometido alguma violência. As informações foram reveladas em uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida na noite de domingo (21).

TROCA DE CONVERSAS ENTRE OS PAIS DE HENRY
Na matéria, o Fantástico mostrou o interior do apartamento onde o menino Henry Borel, 4 anos, morava como a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, vereador Doutor Jairinho (Solidariedade). O programa também mostrou diálogos entre Monique e o pai de Henry, Leniel Borel. Nas conversas, ela demonstra preocupação com a reação do filho ao voltar para casa.

– Lê [Leniel], como vocês estão? Já estou apreensiva desde a hora que acordei porque ele não vai querer vir embora – diz Monique.

Leniel, porém, tenta animar a ex-mulher e escreve que tem conversado com Henry sobre a ida dele para a casa da mãe.

– Vai querer sim. Tenho conversado com ele que tem escola, futebol, mamãe com saudade – responde Leniel.

Os dois então combinaram a hora de o menino voltar para casa da mãe, e Monique diz novamente que fica triste com a reação do filho na volta para casa.

– Só não aguento o choro para não vir. Me desestabiliza totalmente. Fico muito, muito triste – declara.

O APARTAMENTO DE JAIRINHO E MONIQUE
Desde a morte do Henry, no dia 8 de março, o vereador e Monique só voltaram ao imóvel para pegar roupas e objetos pessoais. Em depoimento à polícia, a mãe disse que naquele dia ela botou o filho para dormir no quatro do casal, localizado no fim do corredor. Ela contou ainda que ficou com Jairinho na sala assistindo a uma série na televisão.

Ainda no depoimento, Monique disse que o filho levantou três vezes naquela noite. Segundo ela, em certo momento, para não incomodar a criança, eles decidiram ir para o quarto de hóspedes onde também tem uma televisão. O casal continuou assistindo à série. Jairinho então tomou um remédio e acabou dormindo.

De acordo com seu relato, por volta das 3h30 da madrugada, ela acordou com o som da TV, puxou o braço de Jairinho, que foi ao banheiro. Monique disse que entrou no quarto e encontrou o filho caído no chão, com as mãos e pés gelados, os olhos revirados e sem responder ao seu chamado.

A INVESTIGAÇÃO
O pai disse em entrevista que, por orientação da equipe médica que atendeu Henry, ele decidiu registrar ocorrência na Delegacia da Barra da Tijuca (16ªDP). E foi ele quem pediu o laudo do IML. O resultado do exame indicou muitas lesões pelo corpo do menino, infiltrações hemorrágicas nas parte frontal, lateral e posterior da cabeça, além de contusões no rim, no pulmão e no fígado.

No dia da morte de Henry, 8 de março, uma moradora do condomínio disse em uma rede social ter ouvido gritos femininos e bem desesperados entre 3h20 e 4h da madrugada. O boletim do hospital ao qual Henry chegou às 3h50 informa que Monique e Jairinho disseram ter ouvido barulho emitido pela criança e que se levantaram para ver.

No entanto, no depoimento à polícia o casal não mencionou qualquer barulho feito pelo menino. A polícia também recolheu imagens de câmeras de segurança mostrando que Henry chegou bem ao condomínio onde moram a mãe e o padrasto. A investigação vai ouvir outras testemunhas, inclusive o perito que fez o laudo.

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