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Dono de academia onde mulher morreu pediu ‘clorada mais forte’

Proprietário da academia C4 Gym dava ordens sobre limpeza de piscina a funcionário que não tinha qualificação técnica

Paulo Moura - 18/02/2026 10h14 | atualizado em 18/02/2026 16h40

Piscina da academia onde Juliana Bassetto nadava antes de passar mal Foto: Reprodução/TV Globo

O dono da academia C4 Gym, na Zona Leste de São Paulo, onde a professora Juliana Faustino Bassetto morreu após a liberação de gás tóxico, orientava diretamente, por mensagens e áudios no celular, como deveria ser feita a limpeza da piscina. A investigação aponta que as ordens partiam do empresário Celso Bertolo e eram executadas por um manobrista sem formação técnica.

O funcionário, Severino José da Silva, de 43 anos, era responsável por medir a água e aplicar os produtos, sempre seguindo instruções enviadas pelo proprietário. Segundo a defesa, ele não tinha qualificação para realizar o serviço.

– Ele não tem conhecimento técnico para manusear piscina ou qualquer manutenção que seja. Todos os dias, pela manhã, ele fazia a medição da água e enviava uma foto do medidor por aplicativo de mensagem pro proprietário, o Celso. A partir disso [ele] encaminhava os produtos e quantidades pra usar – afirmou a advogada Bárbara Bonvicini.

Áudios obtidos e divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostraram o empresário acompanhando a situação e determinando ajustes na cloração.

– Nossa, eu olhei pela câmera e ela tá horrível. Eu tô achando que tá sem cloro. Mede ela a hora em que você for lá que, se bobear, a gente joga até um pouco mais. Eu deixei cinco medidas, mas vamos medir pra ver – diz Celso.

Em outras mensagens, ele reforça a necessidade de aplicar mais cloro na piscina.

– Mano, a piscina tá cada vez mais feia. Certeza que é falta de cloro – recomenda.

– Hoje, quando você for, a gente mede e dá uma clorada mais forte pra amanhã estar bonita – completa.

A investigação indica que a morte da professora foi provocada pela mistura incorreta de substâncias químicas usadas no tratamento da água, o que gerou a liberação de gás cloro, altamente tóxico. Especialistas explicam que compostos como hipoclorito de cálcio e dicloro isocianurato, ao entrarem em contato com um ácido podem liberar um gás amarelo-esverdeado cuja inalação em excesso pode levar à morte.

A polícia investiga o caso como possível negligência. Segundo as autoridades, não havia controle técnico formal da qualidade da água, nem registros obrigatórios de medição de pH e cloro, exigidos pela legislação. Os três sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, não concederam entrevista. Em nota, os advogados afirmaram que eles estão à disposição da Justiça.

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