Diretora de ONG divulga cartas de falsa adolescente de 12 anos
Manuscritos continham palavras de afeto e desenhos
Kleber Pizão - 05/06/2026 20h55 | atualizado em 10/06/2026 19h09

A diretoria de uma ONG de Belo Horizonte, em Minas Gerais, divulgou cartas e desenhos feitos por Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa esta semana em Santa Catarina, por fingir ser uma adolescente de 12 anos e se aproveitar de abrigos e instituições.
Delma Soares, responsável pelo Projeto ComPaixão, afirmou que Amanda esteve vinculada ao projeto entre 2017 e 2018. Na época, ela se identificava como Karol e declarou ter sofrido abuso sexual e violência familiar.
Os manuscritos traziam mensagens de carinho e gratidão, sinalizando um passado sofrido na infância. No período das festas de Natal, Amanda afirmou nunca ter recebido presentes como os entregues por “Tia Delma”, como ela a chamava.
— Obrigada por existir no mundo como uma heroína para tentar acabar com o monstro violência. (…) Mesmo eu tendo ainda medo, sei que é boa e eu já te amo muito (…) Foi um conto de fadas para mim. Nunca tive uma cestinha de Natal. Nunca ninguém fez por mim o que você fez por mim — declarou em manuscritos preenchidos com desenhos de coração e personagens infantis.
“Karol” também relatou à época que havia tido um filho fruto dos abusos, e que o bebê havia ficado com o pai.
— Me fez imaginar como tá meu bebê. Também me fez sentir culpa de tá feliz aqui com você, sendo bem tratada, me divertindo, enquanto eu larguei ele lá com meu pai — disse.
A PRISÃO EM SANTA CATARINA
Amanda foi presa em flagrante pela Polícia Civil na última terça-feira (2), no distrito de Pirabeiraba, em Joinville (SC), sob a suspeita de estelionato e falsa identidade. Segundo as investigações, ela teria passado 14 meses vivendo como filha adotiva de uma família local, se passando por uma adolescente de 12 anos.
Desta vez a suspeita usava o nome falso “Gabriele”. Ela confessou o crime em depoimento e foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. Para justificar a aparência de adulta, “Gabriele” mentia dizendo ser autista e alegava ter sido forçada por um pai abusador a usar hormônios na infância, com a finalidade de prostituí-la.
A suspeita também andava sem documentos e convenceu os falsos pais a não a matricularem na escola, argumentando que seu suposto pai abusador poderia localizá-la. Os novos pais chegaram a organizar uma festa de aniversário de 12 anos para ela, deram-lhe remédios para obesidade e demonstraram interesse em oficializar a adoção.
O golpe foi descoberto após a denúncia de um parente da família, que levou as vítimas a procurarem a 6ª Delegacia de Polícia de Joinville. A investigação policial revelou que a suspeita já tinha aplicado o mesmo golpe uma série de vezes, com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Veja os bilhetes escritos pela falsa adolescente:


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