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Homem conseguiu salvar os animais, mas todas as árvores e áreas de plantação foram destruídas

Ana Luiza Menezes - 29/08/2019 00h24

Combate às chamas perto de Porto Velho, Rondônia Foto: EFE/Joédson Alves

Na fazenda de Helio Lombardo, no coração da Amazônia, as chamas arrasaram com tudo. O fazendeiro, de 56 anos, vê ações deliberadas na origem dos fogos que devastam a floresta há dias.

– Se eu estivesse armado, eles (os causadores dos incêndios) não sairiam vivos. A produção está em risco, mas eu não vou ficar aqui apagando fogo – contou o pecuarista, desolado, à Agência EFE.

Lombardo vive na zona rural de Porto Velho, uma das cidades mais afetadas pela intensa fumaça provocada pelos incêndios na floresta, e acredita que a origem das queimadas foi premeditada, pelo menos a que destruiu boa parte de sua fazenda, de 100 hectares.

– Acredito que o fogo foi criminoso, porque veio do outro lado da minha propriedade. Eles tocaram fogo lá da estrada em direção à parte de dentro – disse o pecuarista.

Ele só conseguiu salvar as cabeças de gado porque decidiu retirar os animais um dia antes de o fogo chegar à fazenda.

– Faz dois dias que a fazenda está queimando sem parar. Se os bois estivessem aqui, não estariam mais, porque teriam morrido. Toda a água da propriedade secou – explicou.

Para evitar esse tipo de situação, o fazendeiro se diz a favor do uso de armas de fogo em propriedades rurais privadas, conforme foi estabelecido depois que o presidente Jair Bolsonaro flexibilizou a posse e o porte.

– Se eu estivesse armado, eles cairiam por terra. Não voltariam vivos daqui. Eu estou perdendo o meu latifundio – frisou.

Para Lombardo, o uso de armas de fogo “está dentro da lei, é algo bíblico e é usado para destruir o inimigo”. Nas palavras dele, “o inimigo é aquele que te causa prejuízos”. Em sua fazenda, o gado se salvou, mas todas as árvores e áreas de plantação foram destruídas.

A propriedade de Lombardo está localizada a cerca de 150 quilômetros de Porto Velho, um dos epicentros dos incêndios na Amazônia. Para chegar até essa remota área, é necessário atravessar a Usina Hidrelétrica de Samuel, que tem 57 quilômetros de extensão.

A dificuldade de acesso complicou o trabalho de deslocamento até o local das equipes do Corpo de Bombeiros, do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública. A imagem da Amazônia em chamas deu a volta ao mundo e estampou a primeira página dos principais jornais globais.

Além disso, os milhares de focos incêndio que devoram rapidamente a maior floresta tropical do mundo deixaram em evidência o crescente desmatamento no Brasil, o que desencadeou reprovações por parte de diversos países, principalmente europeus.

Uma das vozes mais críticas ao governo de Bolsonaro foi a do presidente da França, Emmanuel Macron, que repreendeu publicamente o mandatário brasileiro por suas políticas ambientais. Em resposta, Bolsonaro rebateu as duras críticas recebidas e entrou em rota de colisão com Macron.

Bolsonaro também chegou a acusar alguns países de “exagerar” sobre os incêndios, alegando que teriam interesses ocultos na Amazônia.

*Com informações da Agência EFE

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