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Construtora diz que alertou sobre risco antes de ponte cair

A obra custou R$ 36 milhões aos cofres públicos e ficou pronta há dois anos

Pleno.News - 08/06/2026 18h03 | atualizado em 08/06/2026 19h26

Ponte está interditada Foto: Pedro Devani/Secom

A Construtora Cidade afirmou que identificou rachaduras e instabilidade no solo ao redor da Ponte Frei Paolino Baldassari e recomendou a interdição total da estrutura um dia antes do desabamento ocorrido na última sexta-feira (5), em Sena Madureira, no Acre.

Segundo a empresa, equipes técnicas encontraram sinais de erosão, rachaduras e desníveis na região próxima à ponte. A construtora informou que enviou ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (DER-AC), na última quinta (4), um pedido formal para impedir a circulação de veículos e pedestres no local.

– Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades – afirma a empresa.

A construtora também atribuiu o problema a um fenômeno conhecido como “terras caídas”, associado à erosão e à movimentação natural de grandes volumes de solo nas margens dos rios.

No sábado (6), o governo do Acre informou que a erosão pode ter contribuído para o desabamento, mas ressaltou que a empresa possuía experiência em obras desse tipo na região amazônica.

A governadora Mailza Assis (PP) declarou que a construtora será responsabilizada. Segundo ela, a ponte ainda estava dentro do prazo de garantia previsto para a obra, inaugurada em março de 2024 ao custo de R$ 36 milhões.

O governo estadual informou que a Procuradoria-Geral do Estado pretende acionar a Justiça para exigir a reconstrução da ponte ou a apresentação de uma solução para a travessia do Rio Iaco. Também estuda pedir o bloqueio de bens da empresa e cobrar assistência às quatro vítimas do acidente.

– A empresa já disponibilizou engenheiros para avaliar a estrutura, e todas as providências estão sendo tomadas para que os prejuízos não recaiam sobre a população – disse Mailza.

Em nota, o governo afirmou que a obra foi contratada na modalidade integrada, na qual a empresa assume a responsabilidade pelo projeto e pela execução.

– Nessa modalidade, a empresa Construtora Cidade assumiu integralmente a responsabilidade pelo projeto básico, projeto executivo e execução da obra, sendo a única responsável pelas decisões técnicas que determinaram a concepção e a construção do equipamento – comunicou.

O Executivo estadual acrescentou que o projeto técnico ficou sob responsabilidade da construtora, sem participação do governo ou do DER-AC na elaboração da obra.

A declaração contrasta com um comunicado divulgado pelo próprio governo na entrega da ponte, em dezembro de 2023, quando foi destacada a atuação de servidores estaduais no andamento da construção.

– Trabalhamos desde o começo para atuar na construção no inverno e verão. Nos antecipamos às enchentes e agora conseguimos entregar a ponte para a população – disse, à época, a engenheira do DER-AC Thalia Kamila Gomes.

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