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Concessão da Cedae: BNDES e RJ chegam a acordo sobre tarifa

Medida permitirá destravar a concessão dos serviços de água e esgoto em 47 municípios do Rio de Janeiro

Pleno.News - 04/12/2020 16h02

Sede da Cedae Foto: Divulgação

O governo do Estado do Rio e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegaram a um acordo em torno da tarifa que a Cedae, (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), receberá pela produção de água tratada, destravando a concessão dos serviços de água e esgoto em 47 municípios fluminenses. O governo estadual e o banco de fomento, contratado para estruturar o projeto, reafirmaram, nesta sexta (4), o dia 18 de dezembro como meta para publicar o edital de concessão, para fazer o leilão no fim do primeiro trimestre de 2021.

– No momento certo, chegamos num ponto em que temos a equação do preço da água (tratada, a ser recebida pela Cedae) aceita pelo Estado do Rio – afirmou o secretário de Estado da Casa Civil, Nicola Miccione, em transmissão ao vivo no último dia da “Semana BNDES com S de Social e de Saneamento”, que promoveu eventos online desde a última segunda-feira (30).

Estruturada pelo BNDES desde 2016, a concessão finalmente foi levada adiante no governo de Wilson Witzel (PSC), que hoje enfrenta processo de impeachment. O projeto já chegou a ter o leilão de licitação previsto para o fim deste ano, mas os trabalhos atrasaram após o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), fazer questionamentos, principalmente em torno da definição do preço da tarifa da água tratada que será fornecida pela Cedae.

No desenho proposto pelo BNDES, a estatal fluminense não será privatizada. Seguirá atuando na captação e no tratamento da água, que será então vendida para os até quatro operadores privados que prestarão os serviços de distribuição de água, além da coleta e do tratamento do esgoto. O valor pelo qual a água tratada será vendida é essencial para a saúde financeira da Cedae, no novo modelo proposto com a concessão.

Na última apresentação pública sobre o projeto de concessão, em 11 de novembro, o BNDES informou que a tarifa para a água tratada seria R$ 1,46 por metro cúbico. Há pouco, em apresentação na transmissão ao vivo, Guilherme Mendonça, gerente no Departamento de Estruturação de Parcerias de Investimentos BNDES, informou que a tarifa foi elevada para R$ 1,70 nos quatro primeiros anos de concessão, passando a R$ 1,63 por metro cúbico a partir do quinto ano de contrato.

Apesar da elevação nessa tarifa, a outorga mínima fixa que deverá ser paga – na soma dos quatro blocos a serem concedidos – pelo vencedor do leilão foi mantida em R$ 10,6 bilhões. Na apresentação do último dia 11, Cleverson Aroeira, superintendente responsável pelas concessões no BNDES, disse que o preço da água tratada a ser pego para a Cedae poderia ser elevado pelo governo do Estado, mas a variável impactaria na equação financeira, por exemplo, reduzindo o valor mínimo de outorga.

Uma fonte que acompanha o processo disse, sob condição do anonimato, que, mesmo com a elevação da tarifa pela água tratada, é possível fechar a equação financeira nesses termos, pois a rentabilidade permaneceria “bem atraente”. A outorga mínima será a variável de definição do leilão de concessão. Portanto, uma tarifa maior pela água tratada poderá resultar em ágio menor em relação aos R$ 10,6 bilhões mínimos.

Ainda antes de resolver o impasse com o governo fluminense, o BNDES já havia sinalizado que trabalhava para lançar o edital em 18 de dezembro, em outro evento on-line no mês passado. Miccione disse que o governo fluminense está “trabalhando” para que o edital “possa ser lançado, sim, em 18 de dezembro”, mas ponderou que “qualquer ajuste mínimo” nos prazos “não significa frustração”.

Segundo Mendonça, o cronograma passa pela conclusão de pareceres da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), esperada para os “próximos dias”, pela aprovação por parte da administração da Cedae e pela aprovação por parte dos 47 municípios que sinalizaram positivamente pela adesão à concessão.

A aprovação pelos municípios se dá em dois movimentos. Cidades do interior têm até 17 de dezembro para assinar convênios de adesão. Já os 22 municípios integrantes da região metropolitana firmarão a adesão em conjunto. Uma reunião do Conselho Deliberativo da Câmara Metropolitana para tratar do tema está marcada também para 17 de dezembro, informou o gerente do BNDES.

*Estadão

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