Leia também:
X Linha Amarela, no Rio, é fechada por causa de tiroteio

Com 34 anos, Pedro Fernandes disputará governo do Rio

Em entrevista exclusiva, secretário municipal revela que esposa evangélica deixou sua vida mais plena

Emerson Rocha - 31/01/2018 15h18 | atualizado em 31/01/2018 15h44

Pedro Fernandes será candidato do MDB ao governo do Rio Foto: Emerson Rocha

A eleição para o governo do Rio de Janeiro será bem acirrada em 2018. Um dos pré-candidatos é o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos da cidade do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes Neto. Aos 34 anos, ele postula ser o sucessor de Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Em entrevista exclusiva ao Pleno.News, nesta quarta-feira (31), Pedro Fernandes revelou ainda que deve muito o sucesso, na carreira, à esposa Heloise Armada Fernandes, que é cristã e membro da Igreja Batista. Segundo o secretário, ela é sua “fortaleza”. O político tem quatro filhos e garante que a família é a inspiração para o seu trabalho na vida pública.

Como está sendo o trabalho da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio na questão sobre os moradores de rua?
Fui convidado para gerir uma crise que a secretaria vinha enfrentando. Quando a gente assumiu, 100% dos contratos estavam encerrados e profissionais haviam sido demitidos. Até os salários estavam atrasados em três meses. Conseguimos normalizar esses problemas, recontratamos equipes de abordagem nas ruas e reabrimos todos os abrigos da cidade, além de criarmos mais três unidades. Com isso, nesses últimos dois meses, a gente retirou 1.100 pessoas das ruas. A expectativa é conseguir recuperar mais 1.500 nos próximos dois meses, com novos projetos que estamos desenvolvendo.

Um desses novos projetos é o de custear a volta de alguns moradores de rua para suas cidades de origem. Como é isso?
No último senso que a gente fez, mais de 400 pessoas aceitaram essa ideia. Muita gente veio para o Rio de Janeiro acreditando que a cidade seria a Barcelona do século XXI, com crescimento econômico e geração de empregos. Mas, por causa da crise e do planejamento do poder público, isso não se concretizou. A Prefeitura está estimulando a volta deles para suas cidades. Cerca de 30% dos moradores de rua são oriundos de outros estados e países. Temos também o projeto de pagar o aluguel social, que fica bem mais barato que uma vaga em um dos abrigos.

Atualmente, nas ruas do Rio, também há muitas pessoas que são dependentes químicas. O principal problema é na Avenida Brasil, onde elas acabam até sendo vítimas de atropelamento. O que está sendo feito?
A gente não pode tratar essas pessoas, que são de responsabilidade da área da saúde. Mas a gente já conseguiu retirar mais de 80% da população que ficava na Avenida Brasil, porque abrimos um abrigo naquela região. No local, tem oportunidade deles dormirem em um cama descente, alimentação e até um chuveiro com água quente. Aí podemos encaminhar para a Secretaria de Saúde para ressocialização. Mas ainda há muito trabalho a fazer e temos que continuar avançando.

Sobre os abrigos, a Secretaria reabriu e criou algumas unidades, mas como manter as pessoas neles?
Era uma realidade. As pessoas preferiam ficar nas ruas do que em nos nossos abrigos, por causa da forma degradada que os locais estavam. A gente conseguiu parcerias com construtoras para financiamento da reforma de praticamente todas as nossas unidades. Temos que ter a humildade para chamar a sociedade civil e as empresas para nos ajudar nesse desafio. Pegamos a mão de obra de detentos para fazer a manutenção dos equipamentos, também como forma de ressocialização. Com isso, nossos abrigos dão dignidade para essas pessoas.

Há projetos para crianças e jovens?
Foi publicado nesta quarta-feira (31), no Diário Oficial da Prefeitura, um decreto que encaminhamos ao prefeito que 5% das contratações de terceirizados fossem destinadas às pessoas assistidas pela nossa Secretaria. Isso é muito importante, porque leva à questão do jovem aprendiz e ao primeiro emprego. Temos que levá-los a terem uma independência financeira. Nosso papel é ressocializar, não fazer caridade. Temos que dar qualificação profissional e todos nossos abrigos terão cursos para os jovens e pessoas que atendemos.

Como secretário municipal, como analisa o projeto e o trabalho do prefeito Marcelo Crivella?
É totalmente possível fazer um grande trabalho. Temos que nos adequar a realidade e trabalhar. Mesmo com menos recursos na secretaria, a gente conseguiu reabrir e criar novos abrigos. Tudo é uma questão de saber administrar. Fiz economia em cortar as mordomias de secretário para dedicar os gastos para o que era mais urgente e necessário. Por isso, vejo que a Prefeitura está indo em um bom caminho.

Muito vem sendo falado em seu nome como candidato ao governo do estado. Você confirma?
Confirmo. Sou pré-candidato, porque acredito que a gente não pode mais viver nessa situação de desgoverno. As pessoas me perguntam se não tenho medo de perder meu mandato, porque vou abrir mão da minha reeleição de deputado. Sempre falo que tenho medo mesmo de andar na rua, dos meus filhos saírem e a gente não ter a certeza que vão voltar em segurança. O que precisamos é apresentar uma proposta diferenciada. Me preparei a vida inteira para essa oportunidade. Fiz quatro pós-graduações em gestão, mestrado e estou terminando um doutorado agora. Além ter sido secretário cinco vezes, conheço administração pública. O que a gente precisa é justamente de um gestor que tenha a visão de priorizar os gastos essenciais e acabar com o supérfluo. Temos que focar em saúde, segurança e educação, que são o que a população quer e precisa.

Sua esposa é evangélica, não é?
Sim. Minha mulher, Heloise Armada, frequenta a Igreja Batista. Como é bem ativa na religião, ela tem me ajudado muito. Tem sido minha fortaleza, me fez rever muitos conceitos e sou muito grato a isso. Depois que entrou na minha vida, certamente ela tornou meu caminho muito mais pleno. E, principalmente, dá uma referência para nossos filhos; o que é o mais importante.

Leia também1 Índio da Costa reafirma desejo de ser governador do Rio
2 Mesmo após condenação, Lula lidera pesquisa eleitoral

Siga-nos nas nossas redes!
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.