Cantor gera polêmica ao criar “Santa Ceia LGBT” em clipe

Jesus e os apóstolos são interpretados por travestis

Rafael Ramos - 22/04/2019 18h10

Filipe Catto lança clipe com ceia LGBT Foto: Reprodução

O cantor gaúcho Filipe Catto causou polêmica com sua versão inusitada da última Ceia de Cristo. No clipe de sua canção Eu Não Quero Mais, os apóstolos são representados por travestis. Defensor da causa LGBT, o cantor aparece vestido como Jesus Queersto. O nome faz alusão ao termo inglês queer, usado para pessoas LGBTs.

Em um post no Facebook, Catto conta que o clipe foi gravado nos primeiros dias de janeiro, o que ele considera “os piores momentos da bad trip pós-apocalíptica da posse” de Bolsonaro. Ele afirma que, durante muito tempo, lhe foi apresentado Jesus “como uma entidade irada, sob uma ideia de culpa e redenção através da dor e do martírio”.

Ismael Caneppele, diretor do clipe, e eu queríamos fazer uma festa ritualística e performática para reivindicar este Cristo Original, aquele que nos foi roubado e usado como arma para nos destruir. Logo nós, que vivemos de fé – disse o cantor no Facebook.

Tal representação foi criticada pelo pastor Pedrão, da Igreja Comunidade Batista do Rio, que comentou o caso para o Pleno.News. Ele defende a liberdade de expressão, mas vê tal representação como uma ofensa à fé cristã e uma falta de conhecimento da pessoa de Jesus Cristo.

– Em um momento que é tão solicitado o respeito às minorias, às quais eles se consideram, é um desrespeito essa forma agressiva que eles têm de se relacionar com o próximo, mas esperam sempre que o próximo tenha que agir com amor e em amor para com eles. É lamentável como eles põe um linguajar chulo. Ele pode fazer o vídeo que quiser, mas o que será que eles falariam se fosse o inverso? – questiona.

Pedrão vê como absurda a fala de Filipe Catto sobre Cristo ser “usado como arma para destruir os gays”. Através das Escrituras, o pastor prova que Jesus não “destruiu” nenhum pecador, como visto no encontro com Zaqueu, o publicano, e com a mulher adúltera.

– Essa militância vai ficar fazendo uma perseguição para dar uma interpretação individual e pessoal da Bíblia que possa atender aos seus anseios e à sua forma de viver. Vai tentar defender a sua tese na marra, fazendo uma coisa nesse sentido e nesse formato. Nossa maior arma é a oração e o amor. O objetivo deles é deturpar a Bíblia sem conhecimento teológico.

O cantor aparece travestido de Jesus Cristo no clipe Foto: Reprodução

Da mesma forma, o pastor sênior da Igreja Batista da Orla de Niterói (RJ), Neuber Lourenço, declara que a militância LGBT tem buscado ofender e desconstruir a moral cristã no Ocidente. Neuber acredita que esse grupo enxerga o cristianismo “como um grande inimigo a ser vencido”.

– Isto explica o constante vilipêndio dos símbolos cristãos. Mas nós, cristãos, temos uma longa história de ofensas e perseguições. E aprendemos, com o nosso Senhor, a perdoar os que nos ofendem e nos perseguem. Vejo isto como um tiro no próprio pé. Porque é exatamente no Ocidente cristão onde a homossexualidade encontra maior espaço de tolerância e aceitação. Enquanto que, nos países comunistas e islâmicos, a prática homossexual ainda é criminalizada – disse Neuber.

Apesar disso, o pastor orienta os cristãos a cumprirem os ensinamentos de Cristo e continuar de braços abertos para todos que anseiam por um novo jeito de viver.

– A cada dia que passa fica muito clara a diferença entre as pessoas e a militância. De um lado tem a militância LGBT, que é um movimento político financiado por grandes corporações globalistas. Por outro lado, tem as pessoas com suas histórias, suas dores. Jesus continua acolhendo a todos os pecadores, como acolheu a mulher adúltera. A sociedade precisa do Evangelho de Cristo, tanto para ser acolhida, quanto para ser confrontada com o seu pecado.

Polêmica semelhante aconteceu durante o desfile da Gaviões da Fiel, no carnaval de São Paulo. No enredo “A saliva do santo e o veneno da serpente”, a escola trazia uma encenação em que Cristo era vencido por Satanás. O caso causou revolta em várias lideranças cristãs e também gerou repúdio por parte da Bancada Evangélica.

Na época, o deputado federal Fernando Rodolfo (PR-PE) apresentou um projeto de lei que penaliza em até seis anos de prisão quem cometer blasfêmia. Ele classificou, tanto o desfile quanto o clipe de Filipe Catto, como episódios lamentáveis e uma ofensa aos cristãos. O PL segue aguardando relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

– Considero esse clipe um ato de blasfêmia. Se a nossa proposta de lei já tivesse sido aprovada, certamente o cantor seria preso e responderia à pena. Acho que a militância LGBT tem exagerado na defesa da sua causa. Não se defende uma causa atacando outra – disse Fernando, que é cristão e pertence à Igreja Anglicana.

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