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Boate Kiss: Familiares deixam tribunal após fala de ex-prefeito

Cezar Schirmer é a 25ª pessoa a ser ouvida no julgamento

Thamirys Andrade - 08/12/2021 14h34 | atualizado em 08/12/2021 16h04

Ex-prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer
Ex-prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer Foto: Reprodução / Youtube

Cerca de 15 familiares e sobreviventes do incêndio na boate Kiss abandonaram a plateia do Tribunal do Júri, na sessão desta quarta-feira (8), em decorrência de declarações feitas pelo ex-prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (MDB), durante seu depoimento. As informações são do portal UOL.

Sendo a 25ª pessoa a ser ouvida no julgamento, Schirmer tentou desqualificar a investigação da Polícia Civil e isentar a prefeitura de culpa sobre a tragédia ocorrida em 2013. Atualmente, ele atua como secretário de Planejamento e de Assuntos Extraordinários na Prefeitura de Porto Alegre.

– Havia um esforço, desde o começo, no sentido de “falta mais gente no julgamento”. Isso eu ouvi, até semana passada, várias vezes. Isso era uma narrativa para responsabilizar 50, 30, 20, para reduzir a responsabilidade individual desse ou daquele, óbvio. Eu compreendo, como advogado, eu sou bacharel em direito, que é uma estratégia de defesa. […] Essa foi a narrativa criada desde o começo e, desde o começo, eu ouço insinuações [de] que eu deveria estar aqui não como testemunha, mas como réu – declarou Schirmer.

O ex-prefeito ainda negou enfaticamente ter cometido erros que pudessem ter contribuído para a tragédia.

– Eu não fiz nada, doutor, nada, nada, nada, absolutamente nada, doutor, que pudesse comprometer a mim. E nenhum servidor da prefeitura agiu de tal forma que tenha contribuído para o que aconteceu naquela noite, que foi um incêndio, apenas isso, com vítimas fatais. E eu lastimo muito [por] tudo que ocorreu. Até hoje isso me entristece muito – afirmou.

Schirmer pôs ainda em dúvida o andamento das apurações, classificando o inquérito como “medíocre” e “espetaculoso”. Ele também disse que 150 servidores da prefeitura foram chamados para depor e [foram] tratados com “imenso desrespeito e grosseria”.

– O inquérito foi feito pela imprensa. Não foi feita uma investigação sóbria, discreta, respeitosa com as famílias. Parecia que era um desejo de envolver a prefeitura de qualquer forma, e eu me refiro só à prefeitura. Não quero falar de outras questões ou de outras naturezas. De muitos pontos de vista, essa investigação foi medíocre e espetaculosa. […] Um inquérito, quando morre uma pessoa, quando é assassinado alguém, leva seis meses; [algo] em torno disso, um pouco mais, um pouco menos. Esse inquérito levou 55 dias.

Indignados, os familiares e sobreviventes começaram a deixar a sala de julgamento após Schirmer dizer que a prefeitura não tinha responsabilidade no caso. Entre os que abandonaram a plateia, estava Yara Rosa, que perdeu um filho no incêndio.

– Os nossos delegados, as pessoas de Santa Maria, eles deram o sangue para fazer as provas, todas, todas, e ele agora está desmentindo. Não existe essa possibilidade. Nós tivemos muito mais apoio da polícia do que da prefeitura. Fui até Brasília, onde pais foram, e nunca tivemos apoio – declarou Rosa, ao portal UOL.

Adherbal Ferreira, primeiro presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), classificou a postura de Schirmer como “ofensiva”, em coletiva de imprensa.

– O inquérito, [a] que ele se referiu que foi inquérito muito rápido, mas ele teve muita consistência, sim, [pois] apontou todos aqueles que, de alguma forma, tinha alguma ligação, alguma responsabilidade. Agora, na hora de responder, todo mundo é inocente, ninguém tinha nada a ver. O prefeito está tentando mais uma vez abraçar os funcionários públicos, e isso é muito ofensivo para nós.

Paulo Carvalho, diretor jurídico da AVTSM, lembrou que um laudo feito em 2009, por um arquiteto, já apontava os riscos do funcionamento da boate.

– Esse laudo está no inquérito, foi entregue, deveria ser entregue, não importa, diretamente ao prefeito e ao comandante do Corpo de Bombeiros. Se eles não viram, é um laudo que deveria preservar vidas. Se ele não leu, ele se omitiu. E, se leu, ele prevaricou, porque ele deveria ter tomado atitude. É isso só que nós queremos agora: que fossem julgados, que fossem levados por improbidade administrativa – assinalou.

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