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Babá disse que mãe de Henry ficava com Jairinho por dinheiro

Em coletiva, delegado responsável pelo caso também afirmou que não ouvirá Monique Medeiros novamente

Paulo Moura - 04/05/2021 14h10 | atualizado em 04/05/2021 16h49

Monique Medeiros e o vereador Dr. Jairinho Foto: Reprodução

O delegado Henrique Damasceno, responsável pelas investigações da morte do menino Henry Borel, disse nesta terça-feira (4) que as conversas no celular da babá Thayná Ferreira, que cuidava da criança, apontaram que a mãe do garoto, Monique Medeiros, só estaria com o vereador Jairo Souza, o Dr. Jairinho, porque ele pagava as contas dela.

De acordo com Damasceno, em todos os eventos ocorridos com Henry, a babá informou Monique sobre o que aconteceu.

Em entrevista coletiva nesta terça, o diretor do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Antenor Lopes, disse que a responsabilização da Monique aconteceu após a mãe do garoto não preservar o filho da violência cometida pelo padrasto.

– A gente percebia o desespero da babá a cada mensagem. Ela [Monique] tinha o dever de afastar seu pequeno filho daquele cenário. E ela não fez isso. Ainda pediu à babá para mentir e apagar mensagens. Por isso, está sendo responsabilizada criminalmente – destacou Antenor.

Para Damasceno, a investigação tem como principais pontos a análise dos celulares apreendidos e mensagens apagadas recuperadas, sobretudo do telefone da Monique, que permite a confirmação detalhada de uma agressão, pelo menos, a de 12 de fevereiro.

– Em relação à babá, mesmo na retratação, ela suavizou bastante o que ocorreu, e isso tem relevância no curso do processo. Por isso, já está aberto um outro procedimento/inquérito separado para apurar a conduta dela – destacou o delegado.

Jairinho e Monique foram indiciados por dois dos quatro episódios de agressão envolvendo o menino Henry. Por um deles, o de 12 de fevereiro, o padrasto foi indiciado por tortura; Monique, por omissão. Já pelo episódio que resultou na morte da criança, os dois foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e por tortura.

Os investigadores da 16ª DP, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, pediram a prisão preventiva do casal. Os dois, no entanto, já estão cumprindo prisão temporária de 30 dias desde o dia 8 de abril. A detenção foi determinada pelo 2° Tribunal do Júri. A prisão temporária do casal vence às 23h59 do dia 7/5. O Ministério Público espera finalizar a análise dentro do prazo.

– Para nós, da Polícia Civil, mais difícil [do] que prender um vereador, um médico, uma liderança política, foi responsabilizar e prender uma mãe que perdeu o filho de 4 anos de idade. A investigação está tecnicamente convencida das responsabilidades [dela] da morte do Henry – completa Antenor Lopes.

De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino. O vereador, Monique e a babá de Henry teriam mentido quando disseram que a relação da família era harmoniosa. Sobre a possibilidade de ouvir Monique novamente, o delegado Damasceno disse que não o fará.

– Calar Monique é argumento descabido. Foi ouvida como investigada por horas e, por lei, ela terá duas oportunidades de se manifestar em juízo. O que tenho são provas de que, nos escritórios da defesa, ela coagiu a babá, pediu que [Thayná] apagasse as mensagens e não falasse o que sabia. Não há indícios de ameaças. Não há qualquer prova nos autos de coação [de Monique por Jairinho] ou de que [esta] esteve subjugada [por ele] – finalizou Damasceno.

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