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Avó diz que Jairinho dava doces e até aplicava injeção em Henry

Mãe de Monique disse que conheceu o novo genro há cinco meses

Paulo Moura - 28/03/2021 09h46 | atualizado em 28/03/2021 10h25

Henry Borel de Almeida, de 4 anos Foto: Reprodução

Em depoimento prestado na última quarta-feira (24) como parte das investigações da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, no último dia 8 de março, a avó materna do menino, a professora Rosângela Medeiros, mãe de Monique, falou sobre como era a relação do atual genro, o vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), com seu neto.

De acordo com o relato dado por Rosângela para o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, o vereador dava presentes e chocolates para agradar Henry e chegou a aplicar uma injeção no menino quando esse estava resfriado. A professora disse que conheceu o vereador há cerca de cinco meses.

No depoimento dado para a polícia, Jairinho relatou que, embora tenha formação em Medicina, nunca exerceu a profissão e a última vez que fez uma massagem cardíaca foi em um boneco durante a graduação. Ele disse não ter feito nenhum tipo de procedimento de reanimação em Henry, mas que orientou a mãe do garoto a fazê-lo.

Com uma relação próxima do neto e da filha, Rosângela revelou que chegou a ceder parte do terreno onde mora, em Bangu, para que os dois morassem com o pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel, numa casa no local. Desde que o casal se separou e Monique e Henry foram viver com Jairinho, em novembro do ano passado.

No depoimento, a avó de Henry contou que o neto passou a dormir com ela cerca de três a quatro vezes por semana. Ela alegou que o menino, embora estivesse feliz com o novo lar, tinha “predileção” por Bangu, tendo sua residência como referência afetiva.

Rosângela definiu Henry como um menino doce, tímido, introvertido, educado e excelente aluno; a filha como uma mãe zelosa; e Leniel como um “bom pai”. A avó da criança disse que encontrou menino pela última vez no dia 7, estando ele “ótimo”, sem “nenhum problema de saúde” e “nenhum machucado”.

SOBRE O DIA DA MORTE DE HENRY
A professora relatou que no dia em que o neto morreu, recebeu uma ligação da filha dizendo: “Mãe, o Henry não está respirando!” e imediatamente se dirigiu ao Barra D’Or com o outro filho. Durante o trajeto, a filha ligou novamente insistindo: “Mãe, vem pra cá”.

Minutos depois, ela disse ter recebido o terceiro telefonema, quando soube que o menino havia falecido. Chegando à unidade de saúde, Rosângela contou que encontrou a filha “desolada”. Questionada sobre a causa da morte de Henry, Rosângela informou que “pelo que soube” ele “teve um problema no fígado, uma hemorragia causada por uma queda”.

O FATO
O menino Henry Borel Medeiros morreu no último dia 8 de março, em um hospital da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram um fim de semana normal. Por volta das 19h do domingo (7), ele levou o filho de volta para casa onde este morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o médico e vereador do Rio, Dr. Jairinho.

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 de segunda (8), ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Ao chegar ao hospital Barra D’Or, Monique e Dr. Jairinho informaram ao pai da criança que eles ouviram um “barulho estranho durante a madrugada e, quando foram até o quarto ver o que estava acontecendo, viram que a criança estava com os olhos virados e com dificuldade de respirar”.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente.

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping onde o garoto foi a um parquinho e do condomínio em que Leniel Borel morava. Segundo os investigadores, o menino chegou aparentemente saudável aos locais.

Na quarta-feira (17), Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos separadamente por cerca de 12 horas, na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

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