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Anvisa decide manter suspensão da fabricação de produtos Ypê

Medida tem caráter cautelar e julgamento definitivo ainda será realizado

Thamirys Andrade - 15/05/2026 11h23 | atualizado em 15/05/2026 12h33

Detergente Ypê Foto: Ana Luiza Menezes/ Pleno.News

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formou maioria nesta sexta-feira (15) para manter a suspensão da fabricação, venda e distribuição de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê com lotes terminados em 1. A medida retoma os efeitos da Resolução 1.834/2026, publicada em maio.

Durante a sessão, diretores da agência afirmaram que as providências apresentadas pela empresa ainda não eliminam os riscos sanitários identificados nas inspeções. Segundo os votos já registrados, há um histórico recorrente de contaminação microbiológica e falhas em processos considerados críticos na fabricação dos produtos.

A Anvisa destacou que a decisão tem caráter cautelar e que o julgamento definitivo do processo administrativo ainda será realizado. O diretor Thiago Campos afirmou que esperar “certeza absoluta do dano”, em casos sanitários, pode significar agir tarde demais. A análise, porém, ainda pode ser interrompida caso algum diretor peça vista do processo.

A suspensão foi motivada por uma fiscalização conduzida em parceria com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo, após inspeção na unidade da Química Amparo, no interior paulista. De acordo com a agência, foram identificadas falhas em sistemas de controle de qualidade, produção e garantia sanitária, além da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados.

Segundo especialistas, a bactéria é comum em ambientes úmidos e costuma representar baixo risco para pessoas saudáveis. O perigo é maior para imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com feridas, dermatites, queimaduras e idosos fragilizados.

Médicos afirmam que quem usou os produtos e não apresentou sintomas não precisa procurar atendimento apenas por causa da exposição. A recomendação é interromper o uso e observar sinais como irritação na pele, vermelhidão persistente, secreções, febre ou problemas nos olhos.

Especialistas também orientam atenção extra com roupas íntimas, toalhas, peças de bebê e utensílios domésticos que tiveram contato com os produtos. No caso das esponjas de pia usadas com detergentes dos lotes afetados, a recomendação é descartá-las.

Em nota, a Ypê contestou a decisão da Anvisa, classificando a medida como arbitrária e desproporcional. A empresa afirma que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos comercializados e sustenta que as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos ao consumidor.

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