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Anestesista preso por estupro já é réu por erro de diagnóstico

Mulher recebeu diagnósticos errados, um deles dado por Giovanni Quintella, e precisou amputar um dos dedos do pé

Paulo Moura - 13/07/2022 11h34 | atualizado em 13/07/2022 11h48

O anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso em flagrante na madrugada desta segunda-feira (11) por estuprar uma mulher durante uma cesariana, já é réu em um processo por erro médico. O processo, ajuizado em 2019 e que tramita na 5ª Vara Cível do Rio de Janeiro, trata do caso de uma mulher que recebeu dois diagnósticos errados, um deles de Giovanni.

A situação que resultou no processo começou em julho de 2018, quando a mulher procurou o Hospital Mário Lioni, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na primeira ida ao local, a mulher chegou na unidade com “delírios, calafrios, dificuldade na respiração, com falta de ar, tossindo muito e tontura”. Na ocasião, ela foi diagnosticada com infecção urinária e recebeu alta.

Após seu quadro de saúde não melhorar, a paciente voltou ao hospital, onde foi atendida por Giovanni Quintella. Segundo informações do processo, o médico reforçou o diagnóstico de infecção e disse que a paciente estaria com “ansiedade, e que seu estado físico estava bem”.

Na terceira visita a um profissional de saúde, dessa vez um cardiologista, o quadro da vítima se agravou e ela apresentou sintomas como falta de ar e cegueira momentânea. Além disso, ela tossia “catarro com sangue, de espessura grossa e de grande volume, afetando seu raciocínio, mobilidade motora, pressão elevada, dormência e desorientação no tempo e espaço”.

Apenas na quarta ida ao médico, já no Hospital de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi constatado que ela estava com uma pneumonia severa, com apenas 25% dos pulmões em funcionamento. A paciente foi diagnosticada como portadora do vírus H1N1. A mulher ficou em coma por 23 dias, devido a uma trombose por falta de fluxo sanguíneo.

Uma das sequelas causadas pelo problema de saúde foi a perda de um dos dedos do pé direito. A mulher ainda teve o nervo do joelho direito afetado e o tendão de Aquiles precisou ser reconstruído. A paciente também perdeu muito cabelo, teve distrofia muscular e perda de memória antiga.

Em virtude de todos os problemas vividos pela mulher, as advogadas Rafaela Pereira Poell e Bárbara Badin Garcia entraram com uma ação indenizatória por erro médico em razão de erro de diagnóstico contra os três primeiros médicos que a atenderam e o hospital no qual ela se consultou.

Sobre o processo, o Hospital de Clínicas Mário Lioni ressaltou que “apresentou sua defesa à 5ª Vara Cível, em janeiro de 2020, dentro do prazo legal” e afirmou que “o processo se encontra ainda em fase inicial de apuração, pois os profissionais autônomos citados ainda não apresentaram as suas respectivas defesa”.

SOBRE O CASO DE ESTUPRO
O anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante, na madrugada de segunda, por estuprar uma paciente enquanto ela estava dopada e passava por uma cesariana em um hospital na cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.

As suspeitas sobre Giovanni começaram após profissionais de saúde notarem que ele utilizava uma quantidade anormal de anestesia nas pacientes. Além disso, a equipe de enfermagem percebeu, em outros procedimentos, movimentações corporais incomuns feitas por ele durante as cirurgias. Com isso, a equipe resolveu colocar um celular para gravar o que Giovanni fazia.

Foi então que, na gravação que chegou aos policiais, o anestesista foi flagrado colocando o pênis na boca de uma paciente enquanto participava do parto dela. A delegada Bárbara Lomba, da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, que realizou a prisão, destacou a importância da atuação dos profissionais de saúde para que Giovanni fosse detido.

– É importantíssimo nós destacarmos a atuação de uma equipe de enfermagem do Hospital da Mulher aqui de São João de Meriti, cidadãos e profissionais de saúde exemplares, que notaram, em outras cirurgias, o movimento do corpo do médico, do autor do crime. E, para que houvesse uma prova, eles decidiram posicionar um telefone celular de uma forma que não se visse – ressaltou.

Além de responder pelo caso no qual foi flagrado na gravação em vídeo, o anestesista é investigado por mais cinco possíveis atos similares cometidos nas unidades em que trabalhou, entre elas o próprio Hospital da Mulher Heloneida Studart, onde a equipe de enfermagem conseguiu gravá-lo.

Na tarde desta terça (12), o médico teve sua prisão convertida de flagrante para preventiva. Ele passou por uma audiência de custódia realizada na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, para onde foi levado no fim da tarde da segunda.

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