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Policial rodoviário, ex-companheiro da vítima se suicidou após o crime

Pleno.News - 24/03/2026 09h58 | atualizado em 24/03/2026 12h44

Dayse Barbosa Foto: Reprodução / Instagram

Alerta! O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A comandante da Guarda Municipal de Vitória Dayse Barbosa foi morta a tiros dentro de casa, em Vitória, no Espírito Santo, na madrugada desta segunda-feira (23). O principal suspeito é o ex-namorado dela, o policial rodoviário federal, Diego Oliveira de Souza, que se suicidou após cometer o crime.

A Polícia Civil do Estado identifica indícios de feminicídio e que Souza tenha planejado o assassinato da vítima. Com ele, foram encontrados objetos como alicate, escada, chave de corte, faca e álcool. Ao menos cinco cápsulas de munição foram encontradas no quarto de Dayse.

Além disso, familiares da comandante relataram à polícia que Souza era uma pessoa controladora, ciumenta e possessiva, e acreditam que ele matou a ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento.

QUEM ERA DAYSE
Tratada como uma referência no combate à violência contra a mulher em Vitória, Dayse Barbosa entrou para a GCM em 2012 após prestar um concurso público. Antes de se tornar guarda municipal, ela se formou em Pedagogia e chegou a fazer pós-graduação em Segurança Pública Municipal.

Em 2023, Dayse se tornou a primeira comandante da Guarda Civil Municipal da capital capixaba. Durante os mais de 20 anos de história da instituição, o cargo sempre fora ocupado por homens, segundo a Prefeitura de Vitória.

Nas redes sociais, Dayse costumava compartilhar a sua rotina e registrar a sua participação em ações da equipe de segurança na capital capixaba. Além disso, defendia não apenas o serviço da GCM, como também o papel da mulher em postos de liderança no trabalho.

– Confesso que é exaustivo e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória – diz texto publicado por ela, em fevereiro de 2024.

Mãe de uma menina de 8 anos, Dayse, de 37, dizia que o nascimento da filha era um dos acontecimentos mais importantes da sua vida. Ela perdeu a mãe aos 18 anos e, com frequência, destacava a importância da sua presença materna no desenvolvimento da filha.

– Ela é a minha vida e tento ser um exemplo, assim como minha mãe é para mim, mesmo não estando mais aqui comigo – disse Dayse, em entrevista para a Prefeitura de Vitória, em 2024.

– Mamãe é minha maior referência, uma mulher simples que me ensinou a ter força, a ser persistente e ter autonomia. Ela foi essencial para eu me tornar a mulher que sou hoje. É a mesma formação que tento dar para a minha filha. Quero que ela cresça sabendo que pode fazer qualquer coisa – acrescentou a policial.

Entidades de segurança, políticos e colegas lamentaram a morte de Dayse e pediram por justiça. Em nota, a Prefeitura de Vitória lamentou a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias. A administração destacou que Dayse teve uma trajetória marcada por “ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública”.

Diego Oliveira de Souza era policial rodoviário federal e estava lotado na delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde Souza trabalhava, lamentou profundamente as circunstâncias da ocorrência e destacou que possui “compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres.”

*AE

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