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Chefe do PCC é preso na Bolívia após mais de seis anos foragido

Traficante teve prisão domiciliar concedida em 2020

Kleber Pizão - 26/05/2026 18h02 | atualizado em 26/05/2026 19h09

Gerson Palermo Foto: reprodução

O narcotraficante Gerson Palermo foi preso, nesta terça-feira (26), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele é apontado como um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estava foragido desde 2020, quando teve prisão domiciliar concedida durante a pandemia da Covid-19.

A prisão ocorreu por meio de uma força-tarefa entre a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia e a Polícia Federal brasileira. Palermo era o principal elo entre a facção no Brasil e cartéis de drogas da Bolívia e da Colômbia.

As condenações do criminoso totalizam 126 anos de prisão, mas ele foi liberado para cumprir prisão domiciliar em uma decisão cercada de suspeitas (leia mais ao final da matéria). A tornozeleira eletrônica, que Gerson portava, foi violada menos de cinco horas após a instalação e o criminoso nunca mais havia sido visto.

De acordo com o comandante da Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia, David Gómez, Palermo tinha ficha limpa no país, o que facilitou a permanência durante todo este período.

— Ele [Palermo] não tinha nenhum processo aqui na Bolívia, mas estava se escondendo, estava fugindo da Justiça brasileira no nosso país — disse.

Gómez ainda reforçou que Gerson deve ser expulso do país e encaminhado de volta para Mato Grosso do Sul, estado onde foi concedida a prisão domiciliar.

— Em virtude das trocas de informações, neste momento a Força de Combate ao Narcotráfico da Bolívia está conversando com as equipes de migração para conceder a ordem de saída obrigatória e, posteriormente, expulsá-lo de nosso país e entregá-lo à polícia brasileira — reforçou o comandante.

CRIMES, CONDENAÇÕES E PRISÃO DOMICILIAR
Gerson Palermo tem duas condenações em sua ficha criminal. Em 2000, ele participou do sequestro de um avião da Vasp que saiu de Foz do Iguaçu e tinha como destino Curitiba; no entanto, o comandante foi obrigado a pousar em Porecatu (PR), onde os criminosos roubaram cerca de R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil. Palermo foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.

Em 2017, Palermo foi apontado como um dos chefes de um grupo de tráfico internacional de drogas, durante a Operação All In, da Polícia Federal. Na ação, os agentes apreenderam 810 quilos de drogas provenientes da Bolívia. O criminoso foi condenado por tráfico e associação para o tráfico a 59 anos de prisão.

Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (24), revelou que o habeas corpus que liberou Gerson Palermo do regime fechado foi assinado pelo desembargador Divoncir Maran cerca de 40 minutos após ter sido apresentado pela defesa.

O tempo foi considerado incompatível com a complexidade do processo, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com as investigações do CNJ, o gabinete de Maran já sabia sobre o caso e estava orientado a liberar o parecer favorável ao traficante.

No pedido, os advogados afirmaram que Gerson, aos 62 anos, tinha problemas de saúde e se enquadrava em um grupo de risco, o que justificaria a saída do sistema prisional. Após o episódio, o desembargador foi aposentado compulsoriamente.

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