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Caminhoneiros podem iniciar paralisação neste domingo

Redução no preço do óleo diesel está entre as reivindicações

Pleno.News - 21/07/2021 12h44 | atualizado em 21/07/2021 13h04

Representante da ANTB disse que decisão será da maioria da categoria Foto: EBC/Antonio Cruz

Entidades e associações que representam caminhoneiros avaliam a possibilidade de realizar uma paralisação nacional a partir de domingo (25), Dia do Motorista, que poderia crescer na segunda-feira (26). Há um descontentamento de parte da categoria com as altas recentes do preço do óleo diesel.

Entre as insatisfações também são citadas o fim da isenção do PIS/Cofins sobre o diesel, os preços elevados dos insumos para o transporte de cargas, a falta de fiscalização do piso mínimo do frete e promessas que não cumpridas pelo governo.

Algumas entidades já decidiram apoiar a interrupção das atividades, mas reuniões ainda serão realizadas ao longo desta semana para definir a posição da categoria, segundo representantes ouvidos pela reportagem.

Uma das entidades que decidiu apoiar a paralisação é o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). Plínio Dias, presidente da entidade, disse que a mobilização começa no dia 25 e que a adesão pode crescer na segunda-feira e nos dias subsequentes.

A entidade afirma já ter apresentado 387 ofícios ao governo desde o começo do ano, com as reivindicações dos caminhoneiros ‒ como o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras para combustíveis, maior fiscalização nas estradas para cumprimento do piso mínimo de frete e a aposentadoria especial para os motoristas. Segundo o representante, a pauta é a mesma da paralisação do início de 2021. “Até o presente momento, o governo e as pastas cabíveis não chamaram para conversar”, disse ele.

Em maio, preocupado com movimentos grevistas e as constantes ameaças de paralisações, o governo anunciou um pacote de medidas para a categoria, o “Gigantes do Asfalto”. Entre as medidas consta a criação do Documento Eletrônico de Transportes (Dt-e), uma das principais apostas do governo para o segmento autônomo.

O projeto foi aprovado na última quinta-feira (15) pela Câmara dos Deputados por meio da Medida Provisória nº 1051/21 e vai tramitar no Senado. Trata-se de um recurso que vai unificar os documentos exigidos para o transporte de cargas e que poderá ser usado pelo celular do motorista. Isso foi visto pela categoria como tentativa de acalmar os ânimos.

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) vai decidir sobre a adesão no movimento em reunião com seus associados nesta quinta-feira (22).

– Estamos conversando e orientando a categoria para seguirmos, para termos os cumprimento das leis que conquistamos – disse o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão.

A entidade vem cobrando o Executivo quanto à efetivação de uma série de medidas anunciadas para a categoria em manifestações frequentes.

O representante da Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, disse que a entidade apoia a categoria na sua decisão, mas ponderou que os caminhoneiros ainda estão decidindo se vão parar ou não. Conforme Stringasci, várias reuniões de lideranças sindicais, de associações e cooperativas estão sendo realizadas no Brasil todo nesta semana.

– Vamos ver a decisão da maioria da categoria. O que a maioria decidir estaremos junto e apoiando – afirmou.

Stringasci também disse que a questão dos combustíveis é chave.

– Não tem mais condições para o caminhoneiro e nem para o povo brasileiro, de tanto reajuste. A categoria quer uma reforma na política de preço – disse o líder.

Plínio Dias, do CNTRC, que participou de uma reunião em junho com o presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, afirmou que, até o momento, os caminhoneiros não foram chamados à mesa para escutar a resposta da empresa aos seus pedidos.

Segundo os líderes da categoria, há possibilidade de maior adesão agora do que na paralisação de fevereiro, em virtude dos reajustes no diesel de lá para cá.

Conforme o representante da ANTB, alguns motoristas e entidades apoiadores de Bolsonaro a princípio eram contra a paralização por considerarem que era um movimento político contra o governo, mas agora acreditam ser “uma questão de necessidade”, para reivindicar seus “direitos”.

– [Esses motoristas e entidades] entenderam as pautas, principalmente a do combustível. Agora o caminhoneiro está com a corda no pescoço e viu que o combustível subiu e que, se a gente não se mexer, vai subir de novo – afirmou Dias.

*AE

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