Brasil chama detenção de Thiago Ávila por Israel de “sequestro”
Governo brasileiro divulgou nota conjunta com a Espanha nesta sexta-feira
Pleno.News - 01/05/2026 17h00 | atualizado em 07/05/2026 18h50

O governo brasileiro divulgou nesta sexta-feira (1°), em conjunto com a Espanha, uma nota oficial condenando a interceptação de embararcações por Israel e classificando como “sequestro” a detenção de cidadãos dos dois países, um deles o ativista brasileiro Thiago Ávila.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a ação ocorreu em águas internacionais, nas proximidades da Grécia, durante abordagem das Forças de Defesa de Israel (FDI) à flotilha Global Sumud, grupo de ativistas que seguia em direção à Faixa de Gaza. Na nota conjunta, Brasil e Espanha afirmam que a conduta israelense violou o direito internacional.
– Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições – diz a nota.
Os governos também exigiram a libertação imediata dos ativistas e garantias de segurança. De acordo com a organização Global Sumud Flotilla, os dois detidos são, além de Ávila, o palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Ambos integravam a missão interceptada pelas forças israelenses.
Após a operação, os ativistas foram levados para território israelense. Thiago Ávila já havia sido detido anteriormente por Israel em outras ações envolvendo apoio à causa palestina. O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que 175 pessoas foram capturadas durante a interceptação.
SOBRE A DETENÇÃO
O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou dois ativistas da Flotilha Global Sumud, o brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, de, respectivamente, expressar apoio e facilitar transferências financeiras para o grupo terrorista palestino Hamas.
Israel decidiu levar ambos para o território do país para interrogatório. Ávila está detido sob suspeita de envolvimento em atividades ilegais e Abu Keshek sob suspeita de pertencer a uma organização terrorista, anunciou nesta sexta-feira (1°) o Ministério das Relações Exteriores do país nas redes sociais.
Em comunicado enviado à Agência EFE, o ministério informou que Ávila expressou publicamente seu apoio a várias organizações designadas como grupos terroristas por Israel, especificamente o Hamas, o grupo xiita libanês Hezbollah e o regime iraniano. O texto acrescenta que Ávila, que também coordenou a flotilha, compareceu ao funeral de Hassan Nasrallah, ex-líder do Hezbollah morto por Israel.
Além disso, o comunicado destaca que, durante a missão anterior da flotilha, da qual o brasileiro participou em 2025, ele “insistiu em prosseguir em direção à Faixa de Gaza e rejeitou as propostas diplomáticas apresentadas pelos líderes europeus”. Já em relação a Keshek, a Chancelaria israelense disse que ele coordenou a comunicação entre entes internacionais participantes das flotilhas e funcionários do Hamas.
O ativista também é acusado de ajudar a organização terrorista a “facilitar transferências financeiras e consolidar o status operacional das várias organizações envolvidas”. O ministério também afirmou que Keshek, um dos coordenadores da Flotilha Global Sumud, é membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), que, segundo o órgão, foi designada organização terrorista pelos Estados Unidos.
O comunicado acrescenta ainda que, em março, Keshek e outros ativistas foram presos pelas autoridades da Tunísia em um caso de lavagem de dinheiro relacionado à flotilha. Após a notícia de que o palestino-espanhol seria levado para Israel em vez de ser libertado na Grécia, como os outros ativistas da flotilha detidos, o governo espanhol exigiu sua libertação imediata.
*Com informações Agência EFE
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