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Bolsonaro ameaça tirar Brasil da OMS por ‘viés ideológico’

Presidente cobrou mudança de postura no órgão

Pleno.News - 05/06/2020 21h54 | atualizado em 05/06/2020 22h05

Presidente Jair Bolsonaro ameaça deixar OMS Foto: EFE/Joédson Alves

A exemplo do americano Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (5) que o Brasil pode deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS) caso a agência da ONU não deixe de ser uma entidade “política e partidária”.

– Adianto aqui: Os EUA saíram da OMS, a gente estuda no futuro. Ou a OMS trabalha sem o viés ideológico ou a gente está fora também. Não precisamos de gente lá de fora dar palpite na saúde aqui dentro. Ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política e partidária ou nós estudamos sair de lá – declarou Bolsonaro na frente do Palácio da Alvorada.

No final de maio, Trump anunciou que os EUA estavam cortando relações com a organização. O americano acusa a agência da ONU de ser subserviente ao governo da China –hoje a maior antagonista de Washington na arena internacional.

– Como eles não fizeram as reformas solicitadas e muito necessárias, encerraremos nosso relacionamento com a OMS e redirecionaremos esses fundos para outras necessidades de saúde pública mundial urgentes e globais – disse Trump quando comunicou o rompimento.

Os EUA são os maiores doadores da OMS –em 2019, o país desembolsou 400 milhões de dólares (R$ 2,06 bilhões), equivalentes a cerca de 15% do orçamento da organização sediada em Genebra. Segundo Trump, os pagamentos serão direcionados a outras entidades de saúde pública.

O Brasil, porém, deixou de fazer contribuições à organização desde 2019 e hoje soma um atraso de cerca de 33 milhões de dólares.

Bolsonaro também comentou nesta quinta a decisão da OMS de retomar os estudos clínicos com hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) no programa internacional Solidarity.

A entidade havia suspendido as pesquisas com o medicamento para reavaliar sua segurança depois da publicação de um estudo na revista médica inglesa Lancet com dados de 96 mil pacientes que indicou que as duas drogas, hidroxicloroquina e cloroquina, estavam relacionadas a maior mortalidade.

Ele associou a nova decisão da organização ao anúncio de Trump de que os fundos serão cortados.

– Só tirar a grana que eles [OMS] começam a pensar diferente – afirmou o presidente.

*Folhapress

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