Bactéria encontrada na Crystal é a mesma que já foi achada na Ypê
Pseudomonas aeruginosa é mais problemática para pessoas com a imunidade comprometida
Paulo Moura - 03/06/2026 11h01 | atualizado em 03/06/2026 11h37

A identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em um lote de água da marca Crystal reacendeu a atenção das autoridades sanitárias para um micro-organismo que já havia motivado uma das mais repercutidas ações sanitárias recentes: o caso Ypê. A bactéria é a mesma que foi detectada em itens da marca de produtos de limpeza, o que levou a companhia a fazer o recolhimento voluntário de seus produtos e, posteriormente, motivou ações mais amplas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Apesar de ser encontrada no meio ambiente e normalmente não representar risco para a maioria das pessoas, a presença da Pseudomonas aeruginosa em produtos destinados ao consumo humano é considerada uma irregularidade sanitária e exige providências.
A bactéria está presente naturalmente em locais como água, solo e ar. Também pode ser encontrada na pele de indivíduos saudáveis sem causar qualquer problema. No entanto, especialistas classificam o micro-organismo como oportunista, ou seja, capaz de provocar infecções quando encontra condições favoráveis, especialmente em pessoas com a imunidade comprometida.
Entre os grupos considerados mais suscetíveis a problemas com o micro-organismo estão pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados que utilizam medicamentos imunossupressores, pessoas vivendo com HIV sem controle adequado da doença, indivíduos em uso prolongado de corticoides e pacientes com doenças autoimunes em tratamento.
A literatura médica também aponta maior risco para pessoas hospitalizadas, que estejam com diabetes, pacientes com fibrose cística e indivíduos debilitados por enfermidades graves.
SOBRE O CASO CRYSTAL
A Anvisa anunciou nesta quarta-feira (3) que um lote da água mineral sem gás da marca Crystal está sendo retirado voluntariamente do mercado. O órgão publicou uma resolução que comunica o recolhimento do produto pela própria empresa após a confirmação da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas por órgãos de vigilância sanitária.
A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU), também suspende a comercialização, distribuição e utilização do lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, produzido pela Mineração Bom Jesus Ltda, empresa integrante do Sistema Coca-Cola e responsável pelo envase da marca Crystal localizada em Luziânia (GO).
Segundo informações encaminhadas à Anvisa, o lote reúne 374,4 mil garrafas de 500 ml, fabricadas em 20 de janeiro de 2026, com validade até 20 de janeiro de 2027. A maior parte da distribuição ocorreu no Distrito Federal, que recebeu mais de 230 mil unidades. O restante foi encaminhado para cidades de Goiás, municípios do interior de São Paulo e para o Tocantins.
A falha foi identificada durante uma coleta de rotina realizada pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal. O material foi encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública do DF (Lacen-DF), que detectou a presença da bactéria. O resultado foi posteriormente confirmado por meio da contraprova prevista nos protocolos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Com a confirmação laboratorial, a Vigilância Sanitária do DF comunicou o caso à Anvisa. De acordo com a agência reguladora, a presença da bactéria coloca o produto em desacordo com as normas sanitárias que estabelecem padrões microbiológicos para águas envasadas e alimentos.
A orientação é para que os consumidores verifiquem o número do lote impresso na embalagem. Quem possuir unidades identificadas como LZ1 VAL200127 3 P 200126 não deve consumir o produto e deve acompanhar as orientações da fabricante sobre devolução e ressarcimento.
A Mineração Bom Jesus informou à Anvisa que iniciou o recolhimento das unidades distribuídas e estima que aproximadamente 99,2% das garrafas já tenham sido retiradas dos pontos de venda. Segundo a empresa, também foi aberta uma investigação interna para identificar a origem do problema.
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