Aluna conservadora relata sofrer perseguição em universidade
Bianca Laranjeiras, que é presidente do PL Jovem na Bahia, relata que estaria sendo excluída mesmo ainda sendo universitária
Paulo Moura - 22/05/2026 12h40 | atualizado em 22/05/2026 19h04

A presidente do PL Jovem da Bahia, Bianca Laranjeiras, que é aluna do curso de Relações Públicas na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), denunciou estar sofrendo perseguição e isolamento acadêmico dentro da instituição de ensino após denunciar falas de um professor em uma aula realizada em outubro de 2025. Em relato ao Pleno.News e em um boletim de ocorrência registrado por Bianca, a universitária afirma que passou a ser alvo de hostilidade de colegas, professores e entidades ligadas à universidade após divulgar um vídeo gravado em sala.
O episódio ocorreu no dia 13 de outubro de 2025, durante uma aula da disciplina Gerenciamento de crises e questões públicas, ministrada pelo professor Ricardo Caribé. Segundo o boletim de ocorrência registrado por Bianca, o professor teria questionado os alunos sobre camisetas de partidos políticos que possuíam. Quando chegou sua vez, ela respondeu que tinha uma camisa com a frase “Meu partido é o Brasil”. De acordo com o registro policial, o professor teria reagido dizendo:
– Qual o nome da zorra da camisa que você tem?
Ainda conforme o boletim, cerca de meia hora depois, o docente comentou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria “destruindo a cultura woke”. Após uma aluna perguntar a idade do político americano, Ricardo teria declarado:
– Espero que esse f**** da p*** morra logo.
Bianca afirma que questionou o professor sobre desejar a morte de um opositor político e que decidiu gravar parte da conversa. Segundo ela, o docente teria respondido que a fala foi “jocosa”, mas também teria defendido que determinadas pessoas “deveriam deixar de existir”.
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O vídeo acabou sendo publicado por Bianca em suas redes sociais e deu origem a uma série de reações dentro e fora da universidade. No relato feito ao Pleno.News, a jovem diz que, desde então, vive uma espécie de exclusão informal dentro da UNEB.
– Não fui expulsa. Formalmente, ainda sou aluna. Mas estar matriculada não é o mesmo que ser estudante – declara.
Bianca afirma que, após a divulgação do vídeo, a universidade passou a tratar sua conduta como problema central do caso, sem que houvesse, segundo ela, apuração efetiva sobre as falas do professor.
– Nos quatro dias seguintes, a universidade não apurou a conduta do professor. Apurou a minha – declarou.
A estudante relata que descobriu posteriormente, por meio de áudios de uma plenária do departamento realizada em 17 de outubro de 2025, que membros da administração universitária já estariam articulando medidas e manifestações públicas relacionadas ao caso antes mesmo da reunião ocorrer oficialmente.
Bianca destaca ainda que, durante a plenária, professores teriam feito comentários ofensivos a seu respeito, chamando-a de “criminosa”, “atrocidade” e dizendo que ela tinha “carinha de anjo, mas dente de tubarão”. Segundo a jovem, estudantes presentes entoaram um grito de guerra dizendo: “O professor é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo!”.
No boletim de ocorrência, Bianca cita ameaças e ataques que teria recebido nas redes sociais após a divulgação do vídeo. Um dos casos mencionados envolve uma aluna de seu curso, que teria publicado um vídeo de um boneco sendo queimado em uma fogueira, acompanhado da legenda: “RP na expulsão de *”.
Segundo Bianca, a publicação sugeriria que ela deveria ser “queimada” ou “expulsa” do curso. No registro policial, a jovem ainda mencionou outros comentários ofensivos feitos em redes sociais contra ela.
A estudante também questionou uma moção publicada oficialmente pela UNEB em 21 de outubro de 2025. O documento, aprovado pelo Conselho Universitário (CONSU), manifestou apoio ao professor Ricardo Caribé e classificou a divulgação dos vídeos como parte de um “processo difamatório”.
No texto, a universidade afirmou que o professor teria sido vítima da divulgação de “vídeos editados, elaborados de má-fé, para deturpar seu trabalho”. A moção também defendeu a liberdade de cátedra e declarou ser “inconcebível o uso do som e da imagem do professor sem sua autorização”.
Para Bianca, porém, a moção representou uma condenação pública antes mesmo de qualquer procedimento formal.
– Fui condenada pelo órgão máximo da minha universidade sem ser ouvida uma única vez – afirmou.
A universitária diz ainda que os efeitos da reação contra ela continuam presentes em sua rotina acadêmica.
– Não tenho condição de apresentar seminários. Não consigo fazer trabalhos em grupo. Entro no campus sabendo que colegas foram mobilizados contra mim pela própria gestão – relatou.
Segundo a estudante, pedidos de proteção, remanejamento de sala e acesso ao sistema interno da universidade para acompanhar eventuais procedimentos administrativos não teriam sido atendidos. O fato gerou efeitos sérios em sua saúde.
– Minha voz foi afetada. Tenho dificuldade de falar em público, de me expor, de participar das atividades que fazem parte da formação em Relações Públicas. O dano psicológico é real e contínuo – completou.
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